Em Autoconhecimento: Composição de uma Proposta Formativa para Atores e Atrizes a partir das Histórias de Vida, Formação e Ofício.
Ator/Atriz; Autoconhecimento; Formação; Proposta; Ofício.
Esta tese foi composta por meio de uma investigação focada em perceber os modos como o conceito de autoconhecimento colabora diretamente nos processos de formação de atores e atrizes. O objetivo principal foi desenvolver uma proposta artístico-pedagógica de autoanálise para atores e atrizes, focada na autoleitura destes sujeitos em relação às suas próprias práticas e processos de aprendizagem, e na criação/provocação da percepção de suas habilidades e competências para o ofício, trabalhando a autonomia criativa para defenderem e estudarem suas poéticas. Para isso, desenvolveu-se um processo de formação, prática artística e de pesquisa com um coletivo de 16 atores/atrizes, intitulado Atores Anônimos, contando com profissionais atuantes na área e/ou em formação. O lócus de encontro dos artistas participantes da pesquisa foram as cidades de Goiânia, capital de Goiás, onde criou-se o grupo Cerrado (com 10 atores/atrizes); e Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, local em que se compôs o grupo Pantanal (com 6 atores/atrizes). As reuniões ocorreram entre junho de 2024 e maio de 2025. Como metodologia, foram desenvolvidos encontros voltados à práxis da pesquisa com os participantes, levando em conta as dimensões do Sujeito/Ser; incitando a percepção ou autopercepção do/da Ser/ator-atriz/profissional e a percepção ou autopercepção do/da Ser/sujeito/cidadão-cidadã. Como fonte de análise, além dos diálogos foram produzidos registros das falas e outros tipos de compartilhamentos (registros poéticos, escritos e encenados) dos artistas, propiciando o encontro entre os conceitos estudados com as dinâmicas percebidas entre o grupo e nas individualidades de cada artista integrante. Deste modo, criou-se a proposta Ator em autoconhecimento, ou Atriz em autoconhecimento, tendo por base o sistema Stanislavski e as leis orgânicas da criação; a complexidade do conhecimento; aspectos conceituais freirianos da educação como autonomia, corpo consciente, liberdade e sonho; e as histórias de vida e formação como possibilidade de autoanálise crítico-reflexiva para o ator e a atriz. Conclui-se, portanto, que o autoconhecimento é um processo contínuo que assim como possibilita colaborações diversas no campo pessoal e interpessoal, também possibilita percepção, reflexão e aprofundamento formativo, agindo nos processos de aprendizagem e do fazer artístico do ator e da atriz. Portanto, o trabalho com o conhecimento de si, em cursos de formação de atores e atrizes, desde os formatos livres em escolas de artes até os superiores em universidades, acaba sendo entendido como conteúdo necessário e pressuroso.