DO GIRO DA SAIA DE SALU AOS PRINCÍPIOS DE ÈṢÙ:
POÉTICAS PARA UMA CORPOREIDADE EM ENCRUZILHADA
corporeidade; Èṣù; ancestralidade; memória; Prática como Pesquisa; abordagem somático-performativa; encruzilhada; artes cênicas.
Esta dissertação investiga a constituição de uma poética da corporeidade em encruzilhada a partir da articulação entre memória, ancestralidade, experiência somático-performativa e princípios filosófico-epistemológicos associados a Èṣù. Tomando como disparador a memória do giro da saia de Salu, avó do autor, a pesquisa compreende essa imagem como operadora poético-corporal capaz de atualizar saberes ancestrais inscritos na corporeidade. O estudo tem como objetivo investigar de que modo a experiência somático-performativa realizada no mar, marcada pela instabilidade do movimento, tensiona o corpo e possibilita reconhecer ressonâncias com princípios associados a Èṣù na construção de uma poética atravessada pela memória. Metodologicamente, fundamenta-se na Prática como Pesquisa e na abordagem somático-performativa proposta por Ciane Fernandes, articulando prática artística e reflexão teórica em uma dinâmica na qual a experiência antecede a elaboração conceitual. O diálogo teórico mobiliza contribuições de Michel Bernard, Leda Maria Martins, Diana Taylor, Juana Elbein dos Santos, Deoscóredes Maximiliano dos Santos (Mestre Didi), Eduardo Oliveira, Muniz Sodré, entre outros, para compreender a corporeidade como campo relacional, sensível e atravessado por memórias ancestrais. Ao reconhecer Èṣù como princípio dinâmico de movimento, comunicação, multiplicação e reparação, a investigação propõe a encruzilhada como desvio poético-metodológico e evidencia a instabilidade como condição constitutiva da criação artística. Conclui que a corporeidade se organiza em processos contínuos de transformação, nos quais memória, ancestralidade e experiência produzem conhecimento incorporado, ampliando as possibilidades epistemológicas da pesquisa em artes cênicas.