FIGURINOS DOS PERSONAGENS HERODES, PILATOS, MARIA, JESUS, JUDAS E DEMÔNIOS, DA PAIXÃO DE CRISTO EM PERNAMBUCO, SEGUNDO SEUS FIGURINISTAS: DIVA PACHECO, VICTOR MOREIRA, XURUCA PACHECO E MARINA PACHECO
Figurino. Teatro. Memória. Criação. Paixão de Cristo de Nova Jerusalém.
RESUMO
Esta pesquisa investiga o processo de criação, transformação e ressignificação dos figurinos do espetáculo Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, compreendendo-os como dispositivos de memória, linguagem e construção simbólica no âmbito da cena teatral. Partindo de uma abordagem qualitativa, de caráter etnográfico, o estudo articula análise histórica, investigação de campo e reflexão teórica, privilegiando os modos de fazer, os saberes práticos e as dinâmicas de criação no interior do ateliê de figurino. O percurso analítico estrutura-se a partir da trajetória de diferentes figurinistas que atuaram no espetáculo — Diva Pacheco, Victor Moreira, Xuruca Pacheco e Marina Pacheco —, evidenciando a constituição de uma linhagem criativa na qual tradição e inovação se entrelaçam. Nesse contexto, o figurino é compreendido não apenas como indumentária, mas como linguagem sensível, capaz de produzir sentidos, construir visualmente as personagens e instaurar relações entre passado e presente. A pesquisa examina, de modo específico, os figurinos das personagens Demônios, Judas, Jesus, Maria, Pilatos e Herodes, identificando transformações cromáticas, materiais e formais que revelam tanto preocupações com a verossimilhança histórica quanto com as demandas estéticas e técnicas do espetáculo contemporâneo, incluindo sua interface com o audiovisual. Destaca-se, nesse processo, o trabalho de Marina Pacheco, cuja atuação evidencia um movimento de atualização estética fundamentado na pesquisa, no diálogo com o legado de seus predecessores e na experimentação de materiais e técnicas. Sob a perspectiva teórica, o estudo dialoga com autores como Monique Augras, Ecléa Bosi, Gaston Bachelard e Ana Mae Barbosa, permitindo compreender o figurino como espaço de imaginação material, memória e criação. Assim, evidencia-se que os figurinos da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém não reconstituem o passado de forma literal, mas produzem imagens possíveis desse passado, mediadas por escolhas estéticas, técnicas e simbólicas. Conclui-se que o figurino, nesse contexto, configura-se como uma tessitura viva, em constante transformação, em que se articulam herança, experimentação e invenção. Mais do que vestir o corpo do ator, ele constrói visualmente a cena, produzindo significados e contribuindo para a potência estética e narrativa do espetáculo.