Elefante na sala: autorretrato etnográfico de um artista-gestor-curador em busca da sustentabilidade nas artes cênicas
autoetnografia. artista gestor. criação. difusão. sustentabilidade.
A pesquisa investiga como artistas das artes cênicas podem articular processos de criação, planejamento de carreira e ações de comunicação para sustentar sua atividade profissional no contexto brasileiro. O objeto é composto por material de arquivo pessoal, registros de criação, entrevistas, práticas pedagógicas de acompanhamento de carreira e a elaboração da atividade performativa Elefante na Sala. A pergunta que orienta a investigação é: de que modo artistas que operam entre criação, gestão e circulação constroem estratégias viáveis de continuidade e sustentabilidade econômica. A hipótese da pesquisa afirma que artistas conscientes do sistema em que atuam, capazes de manejar ferramentas de gestão e comunicação de maneira crítica, podem desenvolver ecossistemas de trabalho mais duráveis. A abordagem é multirreferencial, com contribuições da filosofia de Edouard Glissant, da sociologia de Thiago Florencio, da literatura de Leonardo Villa Forte e dos estudos de artes cênicas de Silvia Fernandes e Josette Feral. O percurso metodológico assume uma autoetnografia performativa apoiada na análise de documentos pessoais, na escrita de diários, em procedimentos de criação que utilizam arquivo, apropriação e remix, além da observação de práticas profissionais acumuladas em mais de vinte anos de atuação como artista, curador e gestor. O resultado prático consiste na concepção da ação performativa Elefante na Sala, que opera como dispositivo para discutir trabalho, economia e sustentabilidade com artistas da cena. A pesquisa busca contribuir para o debate sobre a profissionalização do artista no Brasil, propondo uma articulação entre prática artística, pensamento estratégico e construção de relações com o público como condição para a continuidade do trabalho em artes cênicas.