Ecoperformance audiovisual entre rios: corporeidade mais-que-humana de CORPO-RIO a CORPO-JUCU
Ecoperformance. Corporeidade. Audiovisual. Antropoceno. Imaginário pós-antropocêntrico.
Esta dissertação investiga as inter-relações entre corporeidade, ecoperformance e audiovisual, buscando compreender como práticas ecoperformativas podem contribuir para a criação de imaginários pós-antropocêntricos em meio à crise ambiental contemporânea. Parte-se da urgência de repensar as relações entre humanos e mais-que-humanos no horizonte do Antropoceno, mobilizando a arte como ativação sensível e política de outros modos de existência. O percurso articula práticas performativas e audiovisuais que emergem na relação corpo-ambiente, com foco em dois rios do Espírito Santo — Itapemirim e Jucu — e se concentra na análise de duas obras concebidas no âmbito desta pesquisa: CORPO-RIO (2021) e CORPO-JUCU (2024). A abordagem metodológica integra Autoetnografia, Pesquisa Somático-Performativa e um pensamento do audiovisual como mediador somático e co-agente de dramaturgia, próximo à videoecoperformance. As obras são examinadas como experimentações estéticas e políticas que acionam visualidade háptica, cinema de fluxo, percepção cinestésica na videodança e cosmopolítica da imagem, dissolvendo fronteiras entre corpo, natureza e técnica e redistribuindo agência no campo sensível. No plano conceitual, a pesquisa atualiza a noção de ecoperformance no âmbito das artes da cena, e a situa frente às disputas do Antropoceno e às propostas de fazer-com e respons-habilidade, além de uma leitura histórico-crítica do acontecimento. Os resultados apontam para a potência do audiovisual como mediador ético-estético na ecoperformance, capaz de ativar modos de percepção e imaginação ecológica que expandem a experiência performativa para além do espaço-tempo da cena ao vivo. Ao fazer existir vínculos entre corpo, rios e paisagens — em práticas situadas que assumem o lugar como coautor —, esta dissertação propõe a ecoperformance audiovisual como prática que não apenas representa, mas instaura e fomenta alianças sensíveis entre humano e mais-que-humano, contribuindo para o fortalecimento de imaginários críticos diante dos desafios do Antropoceno. Para os propósitos centrais desta pesquisa, tomamos como horizonte reflexivo o conjunto de aportes teóricos dos seguintes autores: Maura Baiocchi e Wolfgang Pannek (2007, 2012, 2016, 2018, 2021, 2022, 2023), Ciane Fernandes (2013, 2014, 2018), Martha Bezerra (2021), Leonardo Paulino (2020), Gabriela Holanda (2019), Elizabeth Doud (2018, 2022), Éden Peretta (2005, 2007), André Lepecki (2012; 2013; 2017), Erin Manning e Brian Massumi (2014), Christophe Bonneuil e Jean-Baptiste Fressoz (2024), Stenio Marras e Renzo Taddei (2022), Jason W. Moore (2022), Bruno Latour (2020), Donna Haraway (2022, 2023), Anna Tsing (2019, 2020), Débora Danowski e Eduardo Viveiros de Castro (2014), Isabelle Stengers (2015, 2017, 2018, 2022), Ailton Krenak (2020a, 2020b, 2022), Inara Macedo (2015), Maria Cecilia Barbieri Gorski (2008), César Baio (2020), Sebatian Wiedemann (2000), Laura Marks (2000), Lilian Graça (2019), Erly Viera Junior (2020, 2021).