A FABULOSA AGÊNCIA DOS OBJETOS: DIREÇÃO DE ARTE E PRODUÇÃO DE SENTIDO EM O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN.
Direção de arte; Objetos de cena; Isotopia visual; Neomaterialismo; Teoria Ator-Rede; O fabuloso destino de Amélie Poulain
A dissertação investiga de que forma os objetos de cena de O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001) constroem sentido na narrativa cinematográfica, tomando como vetor de entrada a direção de arte assinada por Aline Bonetto. A pesquisa se insere num campo ainda em consolidação no Brasil, os estudos acadêmicos sobre direção de arte cinematográfica, e propõe um percurso metodológico estruturado em três movimentos complementares: a crítica inferencial de Michael Baxandall, que reconstrói as intenções criativas a partir dos vestígios materiais inscritos na obra; a isotopia visual derivada da semiótica greimasiana, que identifica padrões cromáticos recorrentes como sistemas de produção de sentido; e a Teoria Ator-Rede latouriana, associada ao neomaterialismo de Barad, Bennett e Harman, para interpretar os objetos de cena como actantes dotados de agência própria na narrativa. A análise revela que a cor vermelha, aplicada sistematicamente a objetos narrativamente relevantes do filme, configura uma isotopia visual com variações cromáticas semanticamente significativas e que os objetos de cena do filme agem sobre as personagens, mediam relações e agenciam eventos de forma que excede a intencionalidade humana, confirmando a direção de arte como instância autônoma de significação. O percurso metodológico mostrou-se operacionalizável e produziu resultados que leituras anteriores do filme não haviam alcançado, e ao final é sintetizado em um protocolo de três etapas que torna o percurso replicável a outros corpus, contribuindo para os estudos sobre o objeto e para o campo mais amplo da análise fílmica centrada na direção de arte.