Banca de DEFESA: VILBEGINA MONTEIRO DOS SANTOS

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : VILBEGINA MONTEIRO DOS SANTOS
DATA : 01/06/2026
HORA: 13:00
LOCAL: Por videoconferência
TÍTULO:

AUTOCUIDADO PLATAFORMIZADO: TECNOLOGIA DE GÊNERO E ÉTICA DO CUIDADO NO INSTAGRAM


PALAVRAS-CHAVES:

Autocuidado; Plataformização; Instagram; Gênero; ética feminista


PÁGINAS: 165
RESUMO:

O autocuidado, tradicionalmente entendido como uma prática individual voltada à manutenção da saúde e do bem-estar, tem sido gradualmente deslocado para o ambiente das plataformas digitais. Com esse movimento, o autocuidado passa a ser atravessado por algoritmos, dinâmicas de visibilidade e lógicas de mercado, convertendo-se em prática social marcada por regimes de performatividade e consumo. Diante desse contexto, o trabalho teve como objetivo compreender a emergência do autocuidado plataformizado no Instagram, analisando suas dimensões sociotécnicas, políticas e de gênero. Teoricamente, a tese mobilizou diversos conceitos como as noções foucaultianas de técnicas de si, tecnologias do eu, cuidado de si e dispositivo de confissão (Foucault, 2008a; 2008b; 2004) que ofereceram ferramentas para compreender como o autocuidado se inscreve em práticas de subjetivação e em regimes de verdade mediados pelas plataformas. No campo dos estudos de gênero, foram mobilizados os conceitos de tecnologias de gênero (Lauretis, 2019 e Preciado, 2014), performatividade de gênero (Butler, 2018), cisnormatividade (Vergueiro, 2015) e incorporação protética do gênero (Preciado, 2014), para analisar como o autocuidado plataformizado é atravessado por discursos normativos e disputas identitárias. A noção de governamentalidade algorítmica (Rouvroy, 2018) foi central para compreender a ação dos algoritmos como forma de governo que atuam pela antecipação de comportamentos e pela gestão probabilística; e, como o modelo de negócio e os sistemas de recomendação e personalização do Instagram operam como dispositivos de poder, orientando práticas de autocuidado e modulando subjetividades. A ética feminista do cuidado (Gilligan, 1997; Bellacasa, 2012; Tronto, 2013; Collins, 2020) foi basilar para articular o cuidado como ética situada e relacional, que reconhece vulnerabilidade e interdependência como fundamentos da vida social e política. Metodologicamente, a pesquisa combinou análise sociotécnica de plataformas, mapeamento exploratório de conteúdos e análise de perfis. A análise revelou cinco dimensões centrais do funcionamento do autocuidado plataformizado: a cultura do aperfeiçoamento, a discursividade terapêutica e a feminilidade protética; o reforço dos binarismos de gênero na produção ou disputa de conhecimento; a confissão plataformizada articulada ao poder pastoral e poder oracular das influenciadoras; e a estética do bem-estar associada à performatividade de gênero. A pesquisa também identificou modalidades de práticas feministas de autocuidado plataformizado que tensionam a lógica algorítmicamercantil e analisou as contradições estruturais do autocuidado feminista plataformizado, evidenciando tensões entre politização radical e mercantilização do bem-estar; visibilidade algorítmica e labor afetivo-emocional não remunerado; comunidade coletiva e individualização plataformizada; segurança e vigilância; e universalização do cuidado e apagamento interseccional. Por fim, a tese demonstrou que o autocuidado plataformizado opera como tecnologia de gênero, reiterando que, na esteira da racionalidade neoliberal e da governança algorítimica, o autocuidado no Instagram se articula com processos de comodificação e produção de subjetividades generificadas. Assim, o autocuidado plataformizado constitui fenômeno paradigmático da cultura digital contemporânea, condensando tensões entre autonomia e governo, entre intimidade e visibilidade, entre cuidado e consumo, entre politização e despolitização. Ao demonstrar como o Instagram opera simultaneamente como espaço de subjetivação generificada e como dispositivo de captura algorítmica, esta tese contribui para compreensão crítica das relações entre tecnologias digitais, gênero e neoliberalismo.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - CLEIDIANA PATRICIA COSTA RAMOS - UNEB
Externo à Instituição - Kleber José Fonseca Simões - UNEB
Presidente - 1526841 - LEONOR GRACIELA NATANSOHN
Externa à Instituição - MIRTA SUSANA MORALES - UNC/AR
Externo à Instituição - SERGIO RODRIGO DA SILVA FERREIRA - UFPB
Notícia cadastrada em: 07/05/2026 16:21
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