Binge-watching na Netflix: As discussões sobre maratonas de séries na comunidade on-line “Netflix Brasil -Assinantes”
Streaming, Netflix, Binge-watching, Maratonas, Compulsão
A dissertação investiga como os novos formatos de distribuição televisiva resultaram em novas práticas receptivas. Considera-se a Netflix como a principal responsável pelo desenvolvimento do mercado de streaming no mundo, e pelo crescimento do consumo compulsivo de narrativas seriadas, prática conhecida como binge-watching ou maratonas. A tendência atual das maratonas é atribuída a três fatores: aos avanços nas tecnologias de entrega de conteúdo, ao comportamento do público e a crescente complexidade da narrativa. As inovações tecnológicas transformaram os “modos de ver” televisão. Entendido como um fenômeno cultural, o consumo compulsivo se transformou em critério para a criação de narrativas. Os serviços de entrega de conteúdo via streaming criaram um espaço de acessibilidade que favorece as maratonas. Através da análise de dados, a Netflix identificou a prática do binge-watching como a principal forma de visualização dentro da plataforma, a expressão, que possui conotação negativa, está associada a problemas de saúde como a depressão. O objetivo geral deste trabalho é, a partir dos comentários dos usuários feitos em postagens sobre maratonas de séries no grupo on-line Netflix Brasil - Assinantes, na rede social Facebook, entender o discurso dos consumidores compulsivos particularmente no Brasil. Os objetivos específicos incluem estabelecer quais as motivações dos assinantes da Netflix Brasil para se engajarem em sessões de binge-watching e identificar qual o entendimento dos usuários sobre os malefícios e benefícios da observação compulsiva. O método aplicado é baseado em estudos sobre netnografia e observação participante e incluiu publicações interativas na comunidade on-line. Os resultados obtidos apontam que entre as principais motivações dos usuários para o consumo compulsivo está a “fuga da realidade” através da imersão na narrativa, e ainda sugerem que as percepções sobre os problemas de saúde relacionados à prática são ignoradas pelo grupo observado.