Banca de DEFESA: NILSON DOS SANTOS SOARES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : NILSON DOS SANTOS SOARES
DATA : 17/12/2025
HORA: 14:00
LOCAL: Na Faculdade de Comunicação
TÍTULO:

Plataformização dos corinhos de fogo: processos de midiatização e arranjos sígnicos no Youtube e no Kwai


PALAVRAS-CHAVES:

Plataformização, Corinhos de Fogo, Semiótica, Midiatização, Cultura Afro-brasileira


PÁGINAS: 98
RESUMO:

O corinho de fogo é um nicho musical em ascensão na música gospel, caracterizado pela incorporação de elementos sígnicos das religiões de matrizes africanas, o que lhe confere uma plasticidade simbólica evidente no processo de midiatização. O problema central da investigação questiona como esta expressão cultural, com traços da cultura afro-brasileira, é reconfigurada semioticamente em plataformas digitais como o YouTube e o Kwai. A fundamentação teórica ancora-se na semiótica peirceana, conforme apresentada por Lucia Santaella, e nas teorias da midiatização, permitindo a exploração da semiose e da tricotomia do signo (ícone, índice e símbolo). A metodologia adotada é mista, conjugando a análise semiótica qualitativa, focada nos pontos de vista qualitativo-icônico, singular-indicativo e convencional-simbólico, com métodos quantitativos de mineração e análise de dados. Foram analisados vídeos e comentários de dois canais no YouTube, a Celebrai Music (Rio de Janeiro) e a TV Shalom (Salvador), utilizando a API do YouTube para coleta automatizada e a inteligência artificial (IA) para a classificação e análise de sentimentos de um corpus de 27.366 comentários. Os resultados da análise demonstram que a presença de elementos sígnicos da cultura afro-brasileira atua como estratégia de midiatização. O estudo comparativo revelou que o corinho de fogo baiano (TV Shalom) exibe forte influência afro-baiana, notável no ritmo percussivo (assemelhado ao axé e pagode baiano) e no uso do timbau, enquanto o carioca (Celebrai Music) se assemelha mais ao samba-enredo e ao pagode carioca. Contudo, a análise dos comentários revelou que essa aceitação coexiste com intensa controvérsia e polarização, indicando que o signo “afro” é instrumentalizado como o índice que aponta para a heresia, configurando o elemento afro-brasileiro como a principal pista para a deslegitimação do fenômeno. Confirma-se que a reconfiguração semiótica é orientada pela lógica das plataformas onde o engajamento (comentários, curtidas) funciona como interpretante energético, convertendo a expressão da fé em valor econômico (dataficação), consolidando um interpretante lógico (hábito de consumo midiático) que se insere no capitalismo de plataforma.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 297871 - GIOVANDRO MARCUS FERREIRA
Externo ao Programa - 2420269 - RICARDO FERREIRA DA ROCHA - nullPresidente - 2389877 - TARCISIO DE SA CARDOSO
Notícia cadastrada em: 19/11/2025 13:08
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