Fabulações em Rede, o 'Não Álbum Visual' de Beyoncé e modos de vivenciar o pop no Brasil a partir dos memes
cultura pop, álbum visual, Renaissance, memes, performance
Este trabalho busca problematizar a centralidade da dimensão audiovisual nas expectativas de escuta da música pop no contexto contemporâneo, tomando como vetor analítico o "não lançamento" do esperado álbum visual RENAISSANCE (2022), de Beyoncé, com o intuito de identificar e interpretar um conjunto de fabulações meméticas, configuradas em rede em torno dessas expectativas, e como esta espera se manifesta não só, mas também, a partir dos memes. Então, pensamos a experiência em rede de uma promessa de álbum visual que não se concretiza. Este é um olhar inspirado pelas ideias de Janotti Jr. (2021) sobre "escuta conexa", o qual propõe que a escuta musical contemporânea precisa considerar mediações estéticas, socioculturais e tecnológicas, que resultam na produção de diferentes ambiências e formatos. Neste trabalho, consideramos as fabulações dos fãs materializadas na forma de memes como performance (Taylor, 2013; Martins, 2021), por intermédio da figura conceitual da mimesis, relação proposta por Gutmann e Cardoso Filho (2022), para então observar como o ‘não álbum visual’ pode ser compreendido enquanto audiovisual em rede (Gutmann, 2021) e o que isso pode nos dizer sobre a nossa experiência de consumo da música pop na relação com os memes, tomados aqui como uma forma expressiva e identitária de consumo audiovisual/musical.