Como diferentes plataformas digitais têm (re)produzido as lesbianidades e sapatonices? Uma análise sobre a colonialidade de dados nos processos de plataformização de gênero e sexualidades
Lesbianidades; Sapatonices; Plataformização; Colonialidade de dados
A pesquisa realiza um mapeamento sobre as distintas maneiras em que as plataformas digitais têm operado na (re)produção das lesbianidades e sapatonices, através de uma documentação que dê conta de como distintas plataformas (re)produzem a lesbofobia e, simultaneamente, ajudam a fornecer outras noções, reinscrições e rearticulações sobre as próprias lesbianidades e sapatonices. Para isto, são avaliados, também, como os processos de colonialidade de dados e de tecnologias atuam em processos de acirramento das discriminações semiótico-materiais contra lésbicas. A pesquisa aborda a incidência desses processos contra lésbicas nas respostas (outputs) de plataformas advindas do Vale do Silício, e presentes em países da América Latina, com ênfase no Brasil, focando especificamente no Instagram, no ChatGPT e no buscador da Google. As plataformas foram escolhidas pelos acontecimentos e controvérsias gerados a partir das três plataformas e que foram denunciados por usuárias como demonstrações de expressões lesbofóbicas engendradas em suas estruturas. Através de um enfoque teórico, baseado nas perspectivas decoloniais (ANZALDÚA, 2021; LUGONES, 2014; RICAURTE, 2019; QUIJANO, 2000; MIGNOLO, 2014) e nos debates sobre enviesamentos algorítmicos (BUOLAMWINI e RAJI, 2019; BUCHER, 2018; NOBLE, 2018; SILVA, 2019, 2020a, 2020b, 2022), analisaremos o enredamento entre os enviesamentos algorítmicos e a colonialidade de corpos, dados e plataformas desde a ótica das lesbianidades e sapatonices. Assim, busca-se compreender, também, de quais maneiras os algoritmos, e demais agenciamentos envolvidos nas plataformas digitais, acrescem aos dispositivos de sexualidade e gênero (FOUCAULT, 2013).