CONECTADOS: SENTIDOS SOBRE ‘EXCLUÍDOS DIGITAIS’ NOS DISCURSOS MULTISSETORIAIS DA GOVERNANÇA DA INTERNET BRASILEIRA (2014 – 2024)
Governança da Internet. Mediatização. Análise do Discurso. Interseccionalidade. Desigualdades.
Este estudo investiga a primeira década da governança da internet brasileira após a instituição do Marco Civil da Internet. Com o objetivo de investigar como é construído o discurso sobre “desconectados digitais” no Brasil pelos tomadores de decisão, a pesquisa debruça-se nos principais ambientes da agenda de governança da internet para o país. Assim, a década analisada segue pelo Netmundial 2014, as edições de 2015 a 2020 do Internet Governance Forum das Nações Unidas, o Pré-IGF brasileiro, também conhecido como Fórum da Internet no Brasil, de 2015 a 2023, e o Netmundial+10, realizado em 2024. O trabalho aporta-se nos conceitos de mediatização (Couldry, Hepp, 2017; Verón, 2014; Fausto Neto, 2008; Krotz, 2014), colonialismo digital (Faustino, Lippold, 2022), expondo o centro do poder demarcadamente por meio branquitude (Bento, 2022; Cardoso, 2010; Melo, Schucman, 2022) e do patriarcado (González, 1984; hooks, 2019; Collins, 2019). A metodologia é calcada na Análise do Discurso (Maingueneau, 1990, 2004; Orlandi 2015), e na Interseccionalidade (González, 1984; Collins, Bilge, 2020; Collins, 2019). Ao todo são analisados 35 documentos entre transcrições e relatórios dos fóruns de governança da internet, com uso do software IRaMuTeQ, apresentando a dinâmica brasileira nos ambientes nacionais e internacionais da agenda. Concluí-se que a tomada de decisão para gestão da rede brasileira constrói, nesta década, a figura de "desconectados" através dos sentidos de desagência dos sujeitos sem acesso ou com acesso precário à internet, transformando seus territórios em "áreas remotas" e promovendo um acesso baseado na dataficação e nas plataformas big tech.