Banca de DEFESA: IAGO OLIVEIRA PORFIRIO DA SILVA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : IAGO OLIVEIRA PORFIRIO DA SILVA
DATA : 14/11/2024
HORA: 13:00
LOCAL: por videoconferência
TÍTULO:

O POVO DO RAIO: A COSMOPOLÍTICA NOS COLETIVOS DE CINEMA DOCUMENTÁRIO ENTRE OS GUARANI


PALAVRAS-CHAVES:

Cinema indígena. Documentário Guarani. Cosmopolítica das Imagens. Dissenso. Fabulação. Performance.


PÁGINAS: 400
RESUMO:

Propomos nesta tese uma reflexão acerca da constituição da cosmopolítica da imagem no cinema documentário guarani, como via de escapar aos regimes de destruição de vida dos povos tradicionais e formas de construir outros modos de fazer política e condições de existência, tendo como instrumento o cinema. Para isso, estudamos os coletivos de cinema documentário entre os povos Guarani na relação com uma preocupação da cosmopolítica que se inscreve no processo de construção das imagens, a partir das dimensões do dissenso, da performance e da fabulação que mobilizam, por assim dizer, a forma como essa filmografia tem surgido no contexto da cinematografia indígena. A questão central que identificamos no seio dessa produção é a de uma “comunicação intermundos”, de uma produção audiovisual que é feita com o diálogo e com a contribuição das epistemologias do conhecimento ameríndio, com as tecnologias de comunicação, com uma linguagem cinematográfica e as técnicas e modos de fazer audiovisual canonizados em um pensamento filosófico, teórico e político das imagens. Como questão específica, para entender o fenômeno da produção audiovisual indígena como experiência coletiva, estética e política que adentram às formas fílmicas, construímos um breve panorama de experiências e formação de coletivos de cinema entre os povos indígenas da América Latina nas últimas décadas, com especial atenção para Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru e México. Esse surgimento de experiências cinematográficas vai constituir o que chamamos de ayllu cinematográfico, para fazer referência ao conceito que corresponde às relações de parentesco entre os povos andinos, associando a uma concepção de comunidade em suas formas de organização cosmológica e política. Partimos de referências teóricas para pensar o dissensual, o fabulativo e o performático como gestos que estão em uma dimensão cosmológica e política dessas produções. Antes disso, fazemos uma reflexão acerca do conceito de cosmopolítica como regime espiritual e político dos Guarani e Kaiowá diante do Antropoceno e das aceleradas mudanças climáticas que afetam a vida desses povos e de não-humanos, por exemplo. Nessa perspectiva, o corpus estudado é constituído por coletivos de cinema entre os Guarani (Mbyá e Kaiowá) e as alianças políticas que estabelecem com outros povos, como os Terena, e também de países vizinhos, como Argentina e Bolívia, sendo eles o Colectivo de Cine Mbyá Guaraní Ara Pyau, entre os Mbyá de Misiones, Argentina, o Coletivo Mbyá-Guarani de Cinema, entre os Mbyá do Rio Grande do Sul, Brasil, a Associação Cultural dos Realizadores Indígenas de Mato Grosso do Sul (Ascuri), de Mato Grosso do Sul, Brasil, e suas alianças com os povos Terena e os povos de língua quéchua da Bolívia, e Coletivo de Cinema Guahu'i Guyra, entre os Guarani-Kaiowá de Mato Grosso do Sul. Ao final, propomos como pistas para pesquisas futuras a abordagem metodológica para a análise fílmica com o apoio rede de colaboração em pesquisa, como gesto de descolonizar as leituras das imagens dessas produções entre os povos tradicionais.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - LUCIANA DE OLIVEIRA - UFMG
Externo à Instituição - ANDRÉ GUIMARÃES BRASIL - UFMG
Externo à Instituição - RAFAEL ANTONIO PÉREZ TAYLOR Y ALDRETE - UNAM
Interno - 1690228 - JOSE FRANCISCO SERAFIM
Externa à Instituição - MARCIA GOMES MARQUES - UFMS
Notícia cadastrada em: 15/10/2024 06:47
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