NEGUINHAS QUE ARMAM A QUIZUMBA: debates sobre ações políticas e apropriações das tecnologias pelas herdeiras de Ananse da Amazônia Paraense
Amazônia; Comunicação; Internet; Feminismo Negro; Quizumba.
Tudo começou com Ananse. Depois chegaram Zélia, Lélia, Jane. E elas continuam. Nós chegamos e nos juntamos a elas. Continuamos (quase) todas aqui. Desde Ananse produzimos tecnologias e as usamos criticamente, pois uma teia de prata inquebrantável não há de ser qualquer coisa, é sem dúvida um fenômeno comunicativo e inquestionavelmente uma tecnologia. Uma tecnologia de cuidado, de enredamento e de resistência. É disso que parte esta tese. Por ela navegamos em águas amazônicas discutindo infraestruturas, acessos, usos, políticas e ações afirmativas que possibilitem trazer para o centro uma amazonidade negra e paraense que fica no Baixo Tapajós: o município de Santarém. O objetivo é debater, compreender e analisar de que forma herdeiras de Ananse, isto é, as mulheres negras com as quais escrevo essa tese, têm se apropriado das tecnologias digitais. Para isso, parto de uma metodologia transfeminista da prática da Rede Transfeminista de Cuidados Digitais: as Infraestruturas de Afeto, pela qual realizei rodas de conversa, debates, oficina e entrevistas com roteiros semi estruturados para minhas conversações com as coautoras deste trabalho. Compreendendo apropriação tecnológica com um fenômeno comunicacional de múltiplas camadas (Sodré, 2014), fica negritado que a chegança a estes lugares acontece a partir de categorias que são caras a estas mulheres: 1) Território, 2) Coletividade, 3) Linguagem, 4) Vigilâncias e violências e 5) Autonomia e levam com que os movimentos assumam a responsabilidade pela ocupação e protagonismo de mesas excludentes sem nenhum pudor de armar quizumbas (Gonzalez, 1984).