CÂMERA NA TERRA ÁRIDA:
sertão, cinema e imaginário
Sertão, Nordeste, Imaginário, Cinema
Sertão e Nordeste são dois elementos que se entrelaçam: de um lado, o imaginário de uma região monolítica; de outro, a imagem de uma localidade inóspita, refém de seu passado e cristalizada no tempo. Essa concepção idealizada contribuiu para a construção de um imaginário social fortemente marcado por uma identidade regional, tendo no cinema uma das suas formas de expressão. O presente estudo analisa três obras cinematográficas: Vidas secas (1962), de Nelson Pereira dos Santos; Bailes Perfumado (1996), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas; e Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. Cada uma dessas produções constrói um imaginário social sobre o sertão nordestino, aqui compreendidos como: o imaginário social da fome, representado por Vidas Secas (1962); o imaginário social histórico, expresso em Baile perfumado (1996); e o imaginário social político, desenvolvido em Bacurau (2019). Tais construções simbólicas correspondem a seus respectivos contextos sociais e cinematográficos, mas se articulam estética e sociologicamente ao mobilizar questões atemporais, como as desigualdades sociais, o conflito fundiário, a ausência do Estado, o cangaço, o messianismo, entre outros aspectos fundamentais à constituição do imaginário sertanejo. A metodologia adotada baseia-se na decomposição e recomposição das cenas, aliada ao procedimento da decupagem, o que permite uma análise detalhada e profunda das obras, ampliando a densidade interpretativa e o alcance investigativo.