Banca de DEFESA: TIARA ALESSANDRA OLIVEIRA BARROS

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : TIARA ALESSANDRA OLIVEIRA BARROS
DATA : 11/02/2025
HORA: 14:00
LOCAL: sala virtual on-line da RNP
TÍTULO:

“AQUI ENTRE NÓS!”:  TRÁFICO DE DROGAS E REDES DE VIZINHANÇA NO PISTÃO-SALVADOR- BAHIA


PALAVRAS-CHAVES:

Redes. Mercado de drogas. Faccionalização. Necropolítica. Pistão-Salvador-BA.


PÁGINAS: 243
RESUMO:

Nesta tese analisei os impactos das transformações recentes no mercado de drogas na vida de membros de uma rede familiar – vicinal que habita (ou)/ reside (iu), entre os anos de 2011 a 2019, a rua do Pistão e/ou entorno. A rua do Pistão possui aproximadamente 500 metros de extensão e limita dois bairros populares situados no miolo da cidade de Salvador denominados de Bairro Novo e Bairro Jardins, marcados por histórico de disputas violentas entre grupos criminosos. Com um olhar de perto e de dentro, fiz uma imersão etnográfica e pude conviver com um grupo de moradores e ex-moradores que além do vínculo vicinal, estavam ligados por laços consanguíneos e consideração: a Família Almeida. Os Almeidas compõem uma das redes familiares extensas mais antigas do Pistão. Entre os anos de 2010 e 2011, a família esteve no centro dos conflitos locais com a ascensão de um dos membros da rede, o ex- traficante Gago, ao comando do tráfico local, um período marcado por disputas violentas e muitos homicídios, que terminou com o assassinato de Gago por aliados. Ao revisitar as histórias e memórias dos Almeidas e vizinhos resgatei momentos distintos do bairro e dos problemas que afetam (ram) o cotidiano da vizinhança: do adensamento populacional ocorrido desde a década de 1970; das recorrentes dificuldades de acesso a serviços públicos básicos e os arranjos comunitários tecidos para superá-los; da fragmentação da quadrilha local especializada em assaltos a banco ao fim da década de 1990 à expansão e pulverização do mercado de drogas local na década seguinte, reflexo das políticas proibicionistas e de tolerância zero à nível mundial; da conformação das rixas e inserção da juventude local na criminalidade e suas consequências; da faccionalização das quadrilhas locais e suas alianças a grandes facções de atuação nacional. Os 22 interlocutores entrevistados compartilharam vivências e perspectivas sobre o mover-se em fronteiras porosas e instáveis, entre guerras e tréguas, alianças e inimizades tecidas pelas diversas forças que atuam na conformação da (des)ordem local, tais como: as leis, a justiça, a polícia, as redes de tráfico e grupos ilegais diversos. Os resultados do estudo permitem algumas reflexões gerais sobre as limitações das políticas de segurança pública implementadas na Bahia e no Brasil, pouco eficientes no que diz respeito a promoção do bem-estar coletivo e fortalecimento sistema democrático, ao passo que, condizentes com os interesses do capitalismo neoliberal e com a necropolítica, produzindo mais inseguranças e violências ao invés de coibi-las.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - ***.344.185-** - EDUARDO PAES MACHADO - UFBA
Interna - 1089773 - MARIA GABRIELA HITA
Externo à Instituição - DANIEL VELOSO HIRATA - UFF
Externo à Instituição - Carolina Christoph Grillo
Externo à Instituição - JOHN ERNEST GLEDHILL
Externo à Instituição - MICHEL MISSE
Externa à Instituição - CAMILA CALDEIRA NUNES DIAS - UFABC
Notícia cadastrada em: 04/02/2025 14:21
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