Caboclo é luz na vida da gente: caboclos em práticas de movimento e cura no candomblé de Salvador
Caboclos, Candomblé, Movimento.
Esse trabalho parte dos movimentos dos caboclos no candomblé de Salvador para discutir como os modos dessas entidades se moverem criam relações e vínculos em suas práticas. Caboclos são entidades cultuadas por diferentes práticas religiosas, no candomblé baiano eles são conhecidos como donos da terra. Essas entidades se diferenciam em linhas: caboclos de pena, de couro e de água se dispõem de maneiras distintas no cotidiano dos candomblés, se ocupando de atividades específicas como formas de cuidar das pessoas, de outras entidades, da casa e de fazer festa. Eles também são também concebidos como curadores, muitos deles são convocados para trabalhar e curar quem busca a sua ajuda. Festas e sessões são as ocasiões em essas entidades mobilizam pessoas e outros seres para realizar seus feitos. A pesquisa se concentrou nas histórias dos caboclos, a partir de seis entidades: Boiadeiro Menino de Vizaura é um caboclo de couro que faz as vezes de exu por ser ele quem conduz as celebrações para o exu de sua casa. Pedra Verde é um caboclo de pena que demandou a abertura de uma casa na mata e assim prolongou a linhagem de seu pai, Leão de Ouro, levando-a nessa direção. Colondiano é um marujo que vem na linha caboclo para brincar e cuidar da casa que administra. Laje Mineiro é conhecido como um rapaz trabalhador, que cuida de sua família e provê sustento ao terreiro, Pedra Irá é um caboclo de pena que criou sua maneira própria de realizar sua sessão e curar. Pensando com esses caboclos e com as situações pelas quais eles conduziram a pesquisa, o trabalho propõe que a mobilidade específica dessas entidades fortalece vínculos e relações abertas para possibilidades muitas vezes inesperadas na articulação que promovem entre pessoas, outras entidades e práticas nas suas composições entre festa e cura.