Banca de DEFESA: ANDRÉIA SILVA DE ALCÂNTARA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ANDRÉIA SILVA DE ALCÂNTARA
DATA : 19/12/2025
HORA: 14:00
LOCAL: Instituto de Geociências
TÍTULO:


O CAMPESINATO NO MUNICÍPIO DE IRARÁ/BAHIA: POSSIBILIDADES E PERSPECTIVA PARA A IG
DA FARINHA DE MANDIOCA


PALAVRAS-CHAVES:

 Agricultura Familiar Camponesa; Indicação Geográfica; Reordenamento Territorial; Farinha de Mandioca


PÁGINAS: 351
RESUMO:

Esta tese analisa a Indicação Geográfica (IG) da farinha de mandioca como um instrumento mediador para a reprodução do campesinato em Irará (BA), posicionando-a como uma tática de resistência. O estudo defende a categoria "agricultura familiar camponesa" como central para a compreensão da realidade local, que materializa as contradições do campo. De um lado, o "saber-fazer" ancestral confere à farinha de Irará qualidade singulares, expressas na tradicional "farinha gomada". De outro, os agricultores/agricultoras enfrentam um processo de expropriação sutil, manifesto no extremo fracionamento da terra, no acentuado declínio da produção, na exploração por atravessadores e na concorrência desleal que desvaloriza seu trabalho. Diante desse cenário, o objetivo geral foi compreender como se organiza a produção da farinha de mandioca em Irará no contexto das relações sociais de produção, evidenciando de que maneira a Indicação Geográfica pode contribuir para a política territorial de identidade e para o reordenamento do espaço agrário, criando condições favoráveis à reprodução camponesa. Para tanto, a pesquisa investigou a IG como ferramenta de resistência, reconhecimento e reordenação territorial. A metodologia fundamenta-se no materialismo histórico-dialético, sob uma abordagem qualitativa, buscando desvelar as complexas relações sociais, econômicas e culturais que envolvem a produção da farinha. Este método orientou a análise das contradições do capital e de suas manifestações no território, com foco na luta de classes e na reprodução do campesinato. A pesquisa de campo, realizada entre 2022 e 2025, constituiu o pilar empírico do trabalho, articulando entrevistas semiestruturadas com um leque diversificado de atores — de agricultores/agricultoras a gestores públicos — e a observação direta do processo produtivo e das interações socioculturais. Tal construção metodológica permitiu analisar a Indicação Geográfica como potencial ferramenta de resistência e emancipação. Como conclusão, a tese comprova que a busca pelo selo de Indicação Geográfica para a farinha de mandioca de Irará não reivindica apenas um lugar no mercado, mas a legitimação de sua própria história, reafirmando que terra, trabalho e cultura são indissociáveis na construção de um desenvolvimento territorial sustentável. Assim, a IG se revela um "território de disputa", repleto de potencialidades, mas também de desafios e contradições, cujo sucesso dependerá da capacidade dos agricultores/agricultoras de manterem o protagonismo em sua gestão.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - BENEDITO ELY VALENTE DA CRUZ - UEPA
Presidente - 6045386 - ALCIDES DOS SANTOS CALDAS
Externo à Instituição - MARCEL AZEVEDO BATISTA D'ALEXANDRIA - USP
Externa à Instituição - MARIZE DAMIANA MOURA BATISTA E BATISTA - UNEB
Interna - 1374187 - NOELI PERTILE
Notícia cadastrada em: 14/11/2025 11:12
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