PRODUÇÃO DO ESPAÇO PERIFÉRICO: AÇÕES E TRANSFORMAÇÕES
URBANAS NA CIDADE DE SERRINHA – BAHIA, ENTRE 2008 E 2024
(re)produção do espaço urbano; periferia; agentes; desigualdade espacial; modo
de produção.
A urbanização foi um processo territorialmente seletivo na sociedade brasileira,
concentrando-se nos maiores centros urbanos do país. Partindo dessa análise, a problemática que
norteou esse trabalho se concentrou em alguns pontos cruciais para análise dessa dinâmica, a saber:
Como se deu o processo de produção do espaço periférico da cidade de Serrinha, Ba? Quais foram
os principais agentes produtores da periferia na cidade de Serrinha? Quais as principais
características da periferia na cidade de Serrinha? O objetivo geral desta dissertação, buscou
investigar a formação das periferias enquanto fenômeno presente em cidades interioranas,
especificamente na cidade de Serrinha, Bahia. Partindo da análise do contexto periférico que se
insere no cenário urbano da cidade, o recorte espacial limitou-se aos bairros “Conjunto H.
Alvorada”, “Alto do Recreio”, “Treze”, “Santa” e “Cidade Nova”. Se tratando da dinâmica
produtiva do espaço urbano de Serrinha, a partir de 2008, ao momento atual, houve mudanças
significativas da estrutura urbana. O estudo do fenômeno periférico fora das regiões metropolitanas,
permite constatar a acentuação da crise urbana e expansão das desigualdades espaciais presente nas
cidades interioranas. Serrinha, inserida na economia global, é também parte do modo de produção
capitalista que tem se expandido continuamente. A escala de análise da cidade e o recorte espacial
definidos nesta pesquisa nos permitiu averiguar a desigualdade em sua concretude. Sendo assim,
partimos do método de análise da dialética como base teórica, de natureza crítica e, nessa
perspectiva, os procedimentos metodológicos estiveram calcados na pesquisa quali-quantitativa,
cujos instrumentos de investigação englobaram estudos bibliográficos, pesquisa de campo com
observação, entrevistas, registros fotográficos e produção de mapas, sendo esses processos basilares para a compreensão da dinâmica urbana em Serrinha. Por conseguinte, sabe -se que a produção e reprodução dos espaços periféricos também refletem a reprodução da pobreza na lógica capitalista de produção do espaço e, assim, no contexto urbano de Serrinha, vê -se a expansão de novas espacialidades para fins comerciais, isto é, bairros de alto padrão são direcionados para uma elite da cidade, assim como a expansão espontânea de alguns bairros, resultados de ocupações e doações realizadas pelo poder público local. Além disso, registram-se bairros resultantes de ação estatal que se configuram como periferia, já que sua ocupação foi direcionada à população de baixa renda, a exemplo do PMCMV. Portanto, Serrinha submete-se à ordem e à dinâmica capitalista de produção da cidade, sob a qual prevalece a desigualdade espacial. Os recortes espaciais utilizados
para investigação nesta pesquisa revelaram as diferentes formas de ocupação e apropriação dos
espaços e diferentes práticas espaciais. Todavia, a periferia de Serrinha contrasta com a nova frente
de expansão, que impõe uma nova configuração no espaço urbano da cidade, haja vista que os
agentes imobiliários e fundiários têm atuado na apropriação e domínio do solo urbano. Essas novas
franjas urbanas se expandem, fracionando o espaço da cidade e envolvendo a terra urbana como
insumo fundamental para obtenção do lucro. Esse modo de produção cria novas formas de
segregação espacial, impondo um novo ritmo na dinâmica urbana local, estabelecendo assim novos
marcos de disputas pelo solo da cidade, cuja função social e coletiva ficou comprometida.