Paisagens Vertissólicas na Superfície Sertaneja Setentrional (Nordeste Do Brasil)
Solos a paisagem; análise multiescalar; luminescência; geomorfologia quantitativa
Este estudo investigou as paisagens vertissólicas da Superfície Sertaneja Setentrional, uma unidade geomorfológica semiárida situada no Nordeste brasileiro, a partir de uma abordagem multiescalar buscando compreender como a paisagem aplainada conduziu a formação e distribuição dos Vertissolos a partir da interação entre fatores litológicos, geomorfológicos e pedológicos. Para isso, foram selecionadas três bacias hidrográficas (Rio do Peixe, Banabuiú e Jaguaribe) foram selecionadas, abrangendo diferentes contextos litológicos e topográficos. Como instrumento de discussão, recorremos a distintas análises, através da cartografia regional, extração de métricas topográficas (ksn, knickpoints, relevo local, perfis em faixa e longitudinais), datação por Luminescência Opticamente Estimulada e análises pedológicas. Os resultados revelam que a distribuição dos Vertissolos está relacionada a processos tectônicos, pulsos de dissecação e controle litoestruturais, evidenciando seu papel como marcadores de equilíbrio morfodinâmico recente. Além disso, o trabalho discute a influência de eventos geomorfológicos no Quaternário. Verificamos que esses processos, embora sejam importantes marcadores de deposição e consequentemente influenciam na formação dos Vertissolos, não representam hiatos deposicionais como marcas estratigráficas de interpretação paleoambiental. A integração de dados geológicos, geomorfológicos e pedológicos sob diferentes escalas amplia a compreensão sobre as dinâmicas de formação e funcionalidade das paisagens vertissólicas, contribuindo para o entendimento das relações entre solos e relevo no semiárido brasileiro