Banca de DEFESA: ROMINA MARGARITA HAMUI

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ROMINA MARGARITA HAMUI
DATA : 27/03/2020
HORA: 14:00
LOCAL: Auditório do Instituto de Saúde Coletiva
TÍTULO:

Retardos na atenção hospitalar e complicações do aborto: um estudo de usuárias do sistema público de saúde no nordeste brasileiro


PALAVRAS-CHAVES:

Aborto induzido, tempo de permanência, complicações pós-aborto, cuidados pós-aborto, saúde da mulher


PÁGINAS: 47
RESUMO:

Introdução: O aborto expressa as iniquidades presentes nas populações, principalmente em contextos onde sua prática é criminalizada. As complicações do aborto como causa de morte são menos frequentes do que outras causas obstétricas, mas quando presentes são mais letais. Tanto o retardo na procura de atendimento quanto a demora em receber tratamento adequado e oportuno têm se destacado como fatores determinantes na evolução de eventos negativos à saúde. No presente estudo pretendeu-se analisar este último retardo, e sua associação com a ocorrência de complicações decorrentes do aborto.
Métodos: Este estudo se insere na pesquisa GravSus.NE, estudo multicêntrico realizado em três cidades do Nordeste brasileiro: Salvador, Recife e São Luís, entre agosto e dezembro de 2010, avaliando todas as mulheres maiores de 18 anos internadas em situação de abortamento em 19 maternidades públicas. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas e extração de dados dos prontuários hospitalares. Procedeu-se a análises descritivas, estratificadas e multivariadas; assim como o cálculo do Índice de Youden para estabelecer o retardo. Foram avaliados dois modelos, um reunindo todas as mulheres e outro contemplando somente aquelas que chegaram em boas condições de saúde, com o intuito de evidenciar as complicações ocorridas durante sua permanência nas unidades de hospitalares e fatores associados.
Resultados: Um total de 2371 mulheres foram incluídas neste estudo. A maior parte delas tinha menos de 30 anos de idade (62,3%), com uma mediana de 27 anos, e 89,6% se declararam pardas ou pretas. Em geral, chegaram à maternidade em boas condições de saúde (90,5%), mas 4,0% apresentavam condições regulares, e 5,5% condições graves ou muito graves. Mulheres pretas e aquelas admitidas em plantões noturnos chegaram em piores condições de saúde. O tempo mediano entre a admissão e a realização do procedimento de esvaziamento uterino foi de 7,9 horas, e a partir do cálculo do Índice de Youden, chegou-se a um ponto de corte de 10 horas, a partir do qual a ocorrência de complicações graves aumentava. O retardo no esvaziamento uterino mostrou-se associado à ocorrência de complicações graves (OR 1,97; IC95% 1,55-2,51), e na subanálise das mulheres que chegaram em boas condições de saúde, confirmou-se também esta associação (OR 2,56; IC95% 1,85-3,55), mesmo ajustando-se pela idade gestacional e pelo tipo de aborto declarado.
Discussão: O perfil das mulheres é consistente com a literatura e expressa a situação de vulnerabilidade social daquelas que se internam por aborto no Sistema Único de Saúde no Brasil. A contribuição original do presente estudo é a mensuração objetiva do intervalo de tempo entre admissão e realização do procedimento de esvaziamento uterino, e o estabelecimento de um ponto de corte, com base em critérios conceituais e epidemiológicos, para definir retardo. Entretanto, fazem-se necessárias mais pesquisas testando o retardo proposto no presente estudo em outras amostras ou populações, assim como desenvolvendo novas mensurações do mesmo, de modo a aprimorar sua acurácia na prevenção de complicações potencialmente ameaçadoras da vida das mulheres.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 405.836.197-20 - ESTELA MARIA MOTTA LIMA LEAO DE AQUINO - UFBA
Interno - 000.000.000-00 - GREICE MARIA DE SOUZA MENEZES - UFBA
Externo à Instituição - LEILA ADESSE
Externo à Instituição - THALIA VELHO BARRETO DE ARAUJO
Notícia cadastrada em: 17/03/2020 17:34
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