DANÇANDO NA LINHA DE KALUNGA COM TORTO ARADO DE ITAMAR VIEIRA JUNIOR: NARRATIVA FICCIONAL E MEMÓRIA ENCADERNADA
torto arado; literatura-terreiro; ancestralidade; jarê.
Esta dissertação propõe uma interpretação ensaística da Torto Arado, de Itamar Vieira Junior (2019), articulando análise literária e memória pessoal como estratégia de recomposição epistemológica diante das rupturas produzidas pela colonialidade. Partindo da compreensão da literatura como território de recomposição existencial, o trabalho investiga a continuidade como princípio imanente à narrativa, observando como ela se manifesta por meio das trajetórias de personagens como Bibiana, Belonísia, Zeca Chapéu Grande, Severo, Donana e Salu, bem como pela centralidade do jarê enquanto sistema ético-espiritual que sustenta a vida comunitária. Em diálogo com perspectivas críticas que tensionam os limites da leitura sociológica tradicional, esta pesquisa propõe uma “contra-leitura” fundamentada no conceito de literatura-terreiro (Freitas, 2025), reconhecendo a ancestralidade, a espiritualidade e o território como categorias fundamentais para a compreensão da obra. Ao mobilizar experiências pessoais como chave interpretativa, o estudo também investiga a escrita como gesto de cura e recomposição, recusando a redução das narrativas negras a um inventário de danos e enfatizando a continuidade como estratégia de permanência, continuidade e criação de novos sentidos. Assim, esta dissertação busca contribuir para o campo dos estudos literários ao afirmar a radicalidade ético-estética de Torto Arado e ao reconhecer a literatura como espaço de produção de conhecimento e sustentação de modos de existência….