Avaliação da influência da atividade física em marcadores inflamatórios e na composição corporal em idosos com hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2
Envelhecimento, Citocinas, Glicemia, Pressão Arterial
As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes mellitus tipo 2 (DM2), representam um grande desafio para a saúde pública, especialmente em indivíduos idosos. O envelhecimento associado com alterações fisiológicas que podem agravar essas doenças e que colocam os idosos dentro do grupo de risco para o desenvolvimento de DCNT. A atividade física tem sido amplamente estudada como um fator protetor contra esses processos, mas seus efeitos específicos sobre marcadores de risco como os antropométricos, composição corporal, hemodinâmicos, inflamatórios e bioquímicos ainda não são completamente compreendidos. Sendo assim, este estudo tem como objetivo avaliar a influência da atividade física nesses parâmetros, em idosos com HAS e DM2 de diferentes faixas etárias, bem como se a influência da atividade física pode permanecer independentemente da faixa etária. Neste estudo, foram incluídos 146 indivíduos, de ambos os sexos, portadores de HAS e DM2, fisicamente ativos ou sedentários, com idades entre 65 e 75 anos e acima de 76+. A população do estudo foi recrutada nas Unidades de Saúde da Família de Vitória da Conquista, Bahia. O estudo utilizou uma versão reduzida e validada do Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) e do Questionário de Avaliação de Qualidade de Vida e Saúde (QVS-80). Foram incluídos como praticantes de atividade física os indivíduos que realizavam, no mínimo, 150 minutos semanais de exercícios por um período igual ou superior a três meses. Os indivíduos, então, foram divididos em quatro grupos: idosos fisicamente ativos 65-75 anos, idosos sedentários 65-75 anos, idosos fisicamente ativos 76+ anos e idosos sedentários 76+ anos. Foi realizada a coleta de dados antropométricos de composição corporal e avaliação da pressão arterial. Uma amostra de sangue foi coletada para dosagem de marcadores bioquímicos (HDL, LDL, VLDL, colesterol, triglicerídeos e glicose) e quantificação das citocinas IL-1β, IL-10, IL-17A, IFN-γ e TNF-α por ELISA. Por fim, realizou-se análises multivariadas para avaliar de forma ampliada a influência da atividade física sobre os fatores analisados. Idosos fisicamente ativos apresentaram redução de peso e de massa gorda, bem como aumento da massa magra e da massa óssea e melhor controle da pressão arterial do que em indivíduos sedentários. Indivíduos ativos também apresentaram menores concentrações séricas de LDL, VLDL, triglicérides e de glicose em jejum do que indivíduos sedentários, e um aumento em HDL. Os indivíduos ativos exibiram um perfil inflamatório mais equilibrado, quando comparados a idosos sedentários, com redução das citocinas pro inflamatórias (IL-1β, IL-17A, IFN-γ e TNF-α) e aumento da citocina anti-inflamatória (IL-10). Os padrões de correlação entre os grupos mostraram que os parâmetros antropométricos e de composição corporal estão diretamente ligados a parâmetros bioquímicos e inflamatórios, com aparente modulação desses parâmetros em indivíduos ativos. Nas redes bayesianas foi observado que o HDL exerce um papel central nos grupos ativos enquanto que nos grupos sedentários as citocinas pro-inflamatórias (IL-17A e TNF-α) exercem um papel central. Esta pesquisa fornece evidências dos efeitos benéficos da atividade física na modulação e/ou controle dos parâmetros de risco cardiometabólico e marcadores fisiopatológicos de HAS e DM2 em idosos com hipertensão e diabetes sendo que esses efeitos são observados e permanecem independentemente da faixa etária.