Esboço para a concepção de um sujeito ético a partir da Psicanálise
Subjetividade; Ética; Filosofia da Psicanálise; Freud; Lacan
A presente dissertação investiga a possibilidade de formular uma concepção de sujeito moral a partir do paradigma da psicanálise. Para tanto, parte-se de um confronto entre as principais teorias filosóficas modernas sobre moralidade, notadamente as propostas de Descartes, Kant, Schopenhauer e Nietzsche, e os modelos psicanalíticos de subjetivação elaborados por Freud e Lacan. A pesquisa argumenta que a hipótese do inconsciente, ao desmontar a ideia de um sujeito autônomo e autotransparente, impõe novos limites e desafios à ética tradicional. Ao mesmo tempo, busca-se identificar se, e em que medida, a psicanálise oferece alternativas viáveis para repensar o sujeito moral. Conclui-se que, embora a psicanálise desestabilize os fundamentos clássicos da moralidade, ela permite elaborar uma nova compreensão do sujeito ético, menos centrada na razão e mais atenta à divisão subjetiva e ao lugar do desejo na constituição ética do sujeito.