Acidentes e Individuação — Vias Argumentativas: Identidade, Ordem e Hierarquia. Análise a partir da Ordinatio II, de Duns Scotus.
individuação; acidentes; unidade de si.
A presente pesquisa tem como escopo a análise das três primeiras vias argumentativas apresentadas por Duns Scotus, na Ordinatio II, distinção 3, para explicar por que a razão da individuação de um ser não pode ser um acidente. O primeiro argumento trata da identidade da unidade da singularidade, que não se confunde com a unidade numérica. Para compreender a formação da unidade da singularidade, explicamos aquilo que entendemos por unidade própria, real e suficiente e unidade de si. A individuação faz parte da essência de algo e, portanto, os acidentes não podem ser a razão da individuação. O segundo argumento é o da ordem que existe entre a substância e o acidente. A unidade própria, real e suficiente pertence por si e primariamente à substância de algo, enquanto que a unidade de si pertence por si, mas não primariamente. A unidade de si é a substância primeira, pois ela gera por si e opera por si. A anterioridade do ser da substância com relação ao seu acidente implica uma anterioridade no existir. Por fim, o terceiro argumento é o da hierarquia categorial. Com efeito, em cada hierarquia categorial, só estão contidas por si mesmas aquelas coisas que pertencem àquela determinada hierarquia, desconsiderando tudo o mais. Assim, apenas essências fazem parte de uma hierarquia categorial de essências. Os acidentes, portanto, não fazem parte de tal hierarquia e, logo, não são relevantes sob o ponto de vista essencial, para os entes pertencentes a tal hierarquia. A hierarquia categorial não é a mesma coisa que a árvore de Porfírio.