CORPO E MEMÓRIA EM MERLEAU-PONTY
corpo; sensibilidade; memória; experiência; expressão
Esta dissertação tem como objetivo elucidar as relações entre corpo e memória na filosofia do último Merleau-Ponty, cujo pensamento em geral aborda a sensibilidade e a experiência perceptiva. Nossos esforços se centram em O Visível e o Invisível, seu último e inacabado livro, na medida em que nele encontramos considerações sobre a “ontologia indireta”, marca da última fase do pensamento merleau-pontiano. Pensando a “carne”, conceito fundamental para reunir corpos e mundo numa comunidade ontológica, a filosofia do autor intenciona ir ao originário da experiência sensível, buscando, na via de um “método indireto”, o “Ser bruto” ou “selvagem” que motiva e excede a percepção. Nesse contexto há um descentramento do sujeito, o que dota a temporalidade de certa autonomia e independência, revelando uma “história ontológica” pertencente ao próprio mundo e uma Natureza entendida como matriz autoprodutiva dos sentidos da experiência. Assim, vemos a construção de uma teoria da expressão que revela a história humana como fragmento da história da Terra, e que revela o mundo cultural não como ruptura, mas como continuidade do “ser natural”, na medida em que o Logos cultural se apoia no Logos do mundo estético. Nessa direção, toda memória é “Memória do Mundo”, compreensível pela retomada de um passado sedimentado que se atualiza constantemente nas experiências vividas, e que institui os sentidos de ser corpo na abertura de um sensível profundo e comum.