Teoria do trágico na moderna dramaturgia brasileira: Dias Gomes, Jorge de Andrade e Abdias do Nascimento
Dramaturgia moderna brasileira; Trágico; Tragédia; Dramatologia de Barrientos; Poética.
A pesquisa investiga o trágico como estrutura estética e filosófica, compreendendo-o como uma força simbólica que atravessa diferentes culturas e tempos, mas que adquire configurações próprias na dramaturgia moderna brasileira. Busca-se compreender como o trágico, originalmente vinculado ao conflito entre o humano e o divino, é reelaborado no contexto histórico, social e espiritual do Brasil, onde o divino se reconfigura por meio da religiosidade popular, do sincretismo afro-indígena e da experiência coletiva. O estudo dialoga com Sueli Carneiro, Lélia Gonzalez e Darcy Ribeiro, cujas reflexões sobre identidade, cultura e desigualdade iluminam as bases simbólicas da formação brasileira.
Fundamentada na Dramatologia de Barrientos, cujo método de análise científica contribui para maior precisão e confiabilidade dos resultados, a pesquisa propõe uma leitura crítica e dramatúrgica de obras de Dias Gomes, Jorge de Andrade e Abdias do Nascimento. Nessas dramaturgias, o trágico se manifesta como experiência histórica e espiritual, em que a fatalidade se converte em injustiça, resistência e busca de sentido, revelando a potência trágica da cultura brasileira.
Assim como Aristóteles, em sua Poética, buscou compreender a essência do trágico em seu tempo, esta pesquisa estuda e busca delinear a formação de uma poética do trágico brasileiro moderno, na qual o sagrado e o político se entrelaçam, expressando a complexa experiência simbólica e ética do país.