PALHAÇO SAMBADOR: CONFLUÊNCIAS ENTRE O SAMBA DE VITORINO E A PALHAÇADA DA TRUPE DO BENAS
Samba Rural; Samba de Vitorino; Comicidades Negras; Trupe do Benas.
A presente dissertação, debate a arte do palhaço e descreve uma pesquisa realizada com o intuito de buscar formas de produzir o riso a partir de referências negras e indígenas. De forma crítica, aponta estruturas eurocêntricas como base da formação, para o riso hegemônico de difícil ruptura no Brasil. Em contraponto, o texto indica os resultados da pesquisa realizada sobre o Samba de Vitorino; estilo de samba rural, feito pela família do meu bisavô Vitorino Avelino de Andrade e minha bisavó, dona Leonídia Andrade de Queiroz. O trabalho aponta ainda as atividades com a Trupe do Benas, grupo de circo e teatro do qual faço parte e que aceitou participar do experimento e criação do espetáculo Picadeiro Sambador: Riso, Reza e Cura, como parte prática da pesquisa. A escolha deste samba como resposta ao problema da pesquisa foi o fato do Samba de Vitorino ser feito por uma família majoritariamente negra e que conduz seus festejos com muito respeito a todos os presentes, sem ridicularizar corpos negros, compartilhando a presença na roda de samba com crianças, idosos, jovens e adultos; princípios éticos do estado de graça que evoca um riso de comunhão e compartilhamento fundamental para o palhaço sambador. A metodologia foi qualitativa do tipo participante, com instrumentos de produção dos dados a entrevista, registros em vídeo, áudio e práticas corporais em sala de ensaio com a Trupe do Benas. Objetivos da pesquisa foram, identificar e estratificar princípios do samba de Vitorino e aplicá-los para a construção de um método de criação de comicidade negra e produzir um espetáculo de circo e teatro. O referencial teórico contou com pesquisadores das comicidades negras, do circo negro, do samba e das artes cênicas negras. Nego Bispo (2023), Leda Maria Martins (2021), Reginaldo Carvalho (2018), Maicon Dias (2024), Vanessa Rosa (2023), Cida Almeida (2025), Antônia Vilarinho, Chico Vinícius, Fagner Saraiva e Mafalda Pequenino (2024) e os mestres e mestras da cultura popula, Bule Bule (2025), Bel da Bonita (2023), Mestre Nico (2023), Amândio Queiroz (2024), Teodoro Queiroz (2024), Maria Queiroz (2024) e Luzia Queiroz (2024), estas são as principais vozes que fundamentam e referenciam os conceitos abordados, Samba rural, comicidades negras, circo negro, confluência, corpo-tela, estratificação. Nas considerações, definidas como arremate, apresento os resultados como positivos e deixo uma proposta de continuidade da pesquisa em propostas futuras.