CASTELO DA TORRE E OS ECOS DA AUSÊNCIA: Vestígios
de um encontro cênico com a ancestralidade, memória e a fabulação
crítica
memória, narrativas cênicas negrorreferenciadas, fabulação crítica, gênero e Castelo da Torre.
O trabalho que tem como título CASTELO DA TORRE E OS ECOS DA AUSÊNCIA tem como ponto de partida o espetáculo Castelo da Torre, do Grupo VilaVox,
para investigar como histórias silenciadas podem ser reinscritas a partir de uma
perspectiva negra e feminina. Propõe uma reflexão crítica e sensível sobre os processos
de construção da memória e da identidade a partir da intersecção entre história oficial,
criação artística e vivência pessoal. A montagem do espetáculo na qual participei como
atriz, despertou inquietações sobre raça, gênero e poder, revelando a presença ainda ativa
de estruturas coloniais na forma como narramos a história do Brasil e da Bahia.
Tomando como eixo teórico a fabulação crítica, conforme desenvolvida por Saidiya
Hartman, proponho um deslocamento da narrativa histórica oficial para uma escrita que
fabula a partir das ausências, lacunas e apagamentos da memória negra. O trabalho cruza
experiências pessoais, como a maternidade e a relação com minha ancestralidade, com os
processos de criação artística e crítica social.
A personagem Iná, vivida por mim no espetáculo, e o nascimento de minha filha Inaê
tornam-se figuras simbólicas de continuidade e reconstrução. Esta tese é, portanto, um
exercício de escrita como ato de reexistência, onde o corpo torna-se arquivo e território
de memória.