Rotulagem nutricional frontal e ingredientes críticos em alimentos embalados produzidos na Bahia: Uma análise transversal após implementação das RDC n° 429/2020, IN n° 75/2020 e RDC n° 727/2022
nutrientes críticos; lista de ingredientes; alimentos ultraprocessados; perfil nutricional
O consumo de alimentos embalados, especialmente os ultraprocessados (AUPs), associa-se à maior ingestão de nutrientes críticos e ao risco de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), tornando a Rotulagem Nutricional Frontal (RNF) uma estratégia relevante de apoio às escolhas alimentares. Entretanto, sua efetividade depende da distribuição entre os diferentes grupos de alimentos e da análise integrada com os ingredientes críticos. Esse estudo objetivou analisar os rótulos de alimentos embalados produzidos na Bahia, Brasil, após a implementação das RDC nº 429/2020, IN nº 75/2020 e RDC nº 727/2022. Foram analisados 332 rótulos de alimentos embalados. Avaliou-se a presença da RNF, o número e o tipo de alertas, os teores de açúcar adicionado (AD), sódio (SO) e gordura saturada (GS), e suas posições na lista de ingredientes. Foram realizadas análises descritivas, regressão logística binária e testes não paramétricos de Kruskal–Wallis, com cálculo de tamanhos de efeito e comparações pós-hoc. 25,6% apresentaram RNF, com forte dependência do grupo alimentar (p < 0,001). Os óleos e gorduras, produtos açucarados e energéticos e as preparações prontas e condimentos exibiram maior probabilidade de RNF, com odds ratio de até 21,9. Daqueles com RNF a maioria apresentou apenas um alerta, sendo o AD o mais frequente. Produtos com RNF apresentaram teores significativamente mais elevados de AD, SO e GS (p < 0,001), além de maior variabilidade. Os ingredientes críticos apareceram majoritariamente nas primeiras posições da lista de ingredientes, indicando participação quantitativamente relevante na formulação. A RNF mostrou-se um marcador consistente de pior perfil nutricional, concentrando-se em grupos específicos e associando-se a maiores teores e posições iniciais de ingredientes críticos. Os achados reforçam a coerência do modelo regulatório brasileiro e a relevância da RNF como instrumento de informação ao consumidor, além de indicar a necessidade de monitoramento contínuo e ações complementares de educação alimentar.