Banca de DEFESA: DENISE CARREIRO FAUSTINO

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : DENISE CARREIRO FAUSTINO
DATA : 19/12/2025
HORA: 09:00
LOCAL: Auditório da Escola de Nutrição
TÍTULO:

Potencial inflamatório de produtos de Reação de Maillard em adipócitos e predição de risco do 5- hidroximetilfurfural (HMF) por modelagem in silico


PALAVRAS-CHAVES:

acrilamida; furfural; inflamação; extrapolação IVIVE; simulação Monte Carlo; margem de exposição


PÁGINAS: 87
RESUMO:

A Reação de Maillard (RM), intensificada por processos térmicos de cocção, gera os Produtos de Reação de Maillard (PRMs), entre eles acrilamida (AA), 5-hidroximetilfurfural (HMF) e furfural (FUR). Embora as melanoidinas, produtos finais da RM, apresentem propriedades antioxidantes, diversos PRMs intermediários têm sido associados a efeitos adversos à saúde, incluindo citotoxicidade, mutagenicidade, disfunção endotelial, inflamação crônica e potenciais efeitos carcinogênicos. Considerando que a obesidade se caracteriza por um estado de inflamação sistêmica de baixo grau e comprometimento do tecido adiposo, a exposição a PRMs pode contribuir para ampliar o desequilíbrio inflamatório. Este trabalho teve como objetivo avaliar o potencial inflamatório de PRMs em adipócitos murinos e estimar o risco humano associado ao composto de maior impacto biológico, integrando abordagens in vitro e in silico. Adipócitos 3T3-L1 diferenciados foram expostos a concentrações crescentes de AA, HMF e FUR (1–1000 µg/mL). A análise de viabilidade permitiu determinar as concentrações inibitórias (IC₅₀), indicando maior citotoxicidade para AA (352,2 µg/mL), seguida de HMF (610,4 µg/mL) e FUR (1900 µg/mL). Para a etapa inflamatória, com base nestes resultados e na disponibilidade dos reagentes, foram selecionadas as concentrações correspondendo a 350 µg/mL (AA), 150 µg/mL (HMF) e 1000 µg/mL (FUR). O LPS (1 µg/mL) foi utilizado como controle positivo. A expressão gênica de mediadores inflamatórios (TNF-α, IL-6, INF-γ, TGF-β) e enzimas (ARG1, NOS2) foi avaliada por PCR em tempo real (RT-PCR). A exposição aguda (12 h) demonstrou que o HMF promoveu aumento expressivo na expressão de todos os marcadores analisados, superando inclusive o LPS para alguns genes (INF-γ, TNF-α e TGF-β). AA e FUR apresentaram respostas próximas ao basal. Considerando a magnitude da resposta pró-inflamatória observada, o HMF foi selecionado como composto-modelo para a etapa de toxicologia preditiva e avaliação de risco. A partir dos dados de viabilidade celular, estimou-se o NOAEL in vitro (≈16 µg/mL). A modelagem dose–resposta log-logística gerou valores de BMD₁₀ e BMDL₁₀ de 35,44 e 27,30 µg/mL, respectivamente. A extrapolação in vitro–in vivo (IVIVE) converteu esses valores em equivalentes orais variando de 1.067 a 12.935 µg/kg pc/dia, dependendo do cenário farmacocinético adotado. Para apoiar a etapa de exposição humana, foi realizada uma revisão de literatura sobre teores de HMF em diferentes grupos de alimentos para consolidação das médias por porções. As porções de consumo foram definidas com base em dados populacionais e cenários plausíveis para adultos, adolescentes e lactentes. A simulação probabilística de Monte Carlo (100.000 iterações) estimou exposições médias de 541 µg/kg pc/dia (adultos), 605 µg/kg pc/dia (adolescentes) e 223 µg/kg pc/dia (lactentes). Café, sobretudo o solúvel, e frutas secas foram os principais contribuidores dietéticos, seguidos por produtos de panificação. As margens de exposição (MOE) indicaram que 50–56% dos adultos e adolescentes se enquadram em risco intermediário (10 ≤ MOE < 100) e 43–49% em risco alto (MOE < 10), enquanto lactentes apresentaram exclusivamente risco baixo (MOE ≥ 100). Os resultados demonstram que o HMF possui elevado potencial pró-inflamatório em adipócitos, destacando-se entre os PRMs testados, e que sua ingestão dietética pode representar risco relevante para determinados grupos populacionais. Conjuntamente, este estudo mostra que a integração de abordagens in vitro, IVIVE e modelagem probabilística constitui uma estratégia robusta para aprimorar a caracterização de risco humano de compostos formados durante o processamento térmico de alimentos.


MEMBROS DA BANCA:
Interna - 2360341 - LAISE CEDRAZ PINTO MATOS
Externo à Instituição - JULIO BELTRAME DALEPRANE
Externo à Instituição - CLAUBERT RADAMÉS OLIVEIRA COUTINHO DE LIMA - UNEB
Notícia cadastrada em: 24/11/2025 16:24
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