CALIBRAÇÃO DE ENERGIA NA ETAPA RÁPIDA DO TRIGGER DE ELÉTRONS DO EXPERIMENTO ATLAS UTILIZANDO ÁRVORES DE DECISÃO REFORÇADAS POR GRADIENTE
Física de altas energias, ATLAS, LHC, trigger, calibração de energia, aprendizado de máquina.
Na física de altas energias, o grande volume de dados – com uma parcela significativa proveniente
de ruído de fundo – dificulta a identificação dos fenômenos de interesse. Para contornar essa
complexidade, é adotado um sistema de seleção online de eventos (trigger), que no experimento
ATLAS do Large Hadron Collider (LHC) opera em duas etapas sequenciais: o primeiro nível e o
trigger de alto nível (também denominado etapa rápida). Técnicas de aprendizado de máquina
têm sido empregadas para aprimorar essa seleção.
No contexto da detecção de elétrons, a estimação precisa da energia depositada nos caloríme-
tros é fundamental para a correta identificação de candidatos. Os erros nessa medida podem
decorrer de efeitos de pileup, que aumentam artificialmente a energia reconstruída, e de perdas
longitudinais e laterais de energia, que resultam em uma subestimação da energia verdadeira.
Como consequência, imprecisões na estimativa podem comprometer a eficiência da seleção ou
aumentar as taxas de falsos positivos.
Este trabalho propõe uma metodologia de calibração de energia para o trigger de alto nível,
utilizando um ensemble de árvores de decisão potenciadas por gradiente (Gradient Boosted
Decision Trees – GBDTs). Essa abordagem permite modelar não linearidades e capturar relações
complexas nos dados de forma eficiente, aprimorando a precisão da estimativa de energia.
A solução desenvolvida foi integrada ao ambiente de software de operação do detector, e está
atualmente em avaliação para possível adoção nos próximos anos. Nos testes realizados com
dados simulados, observou-se uma redução de até 25% na dispersão da energia reconstruída,
além de uma melhora de 20,6% no erro percentual absoluto médio na faixa de baixas energias (0
a 30 GeV). Com dados de validação, foi possível reduzir o limiar de seleção sem comprometer
a eficiência na identificação de elétrons, resultando em menor taxa de falsos positivos, menor
demanda computacional e aumento da eficiência global do sistema de trigger.