Dissertações/Teses

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2020
Dissertações
1
  • LAURA MARIA DE CARVALHO MATOS
  • República de las Letras para Hispanoamericanos: Aprendizaje, Redes de Comunicación, Libertad de Expresión e Igualdad en las Décadas Finales del Siglo.

  • Orientador : IRANEIDSON SANTOS COSTA
  • Data: 03/02/2020
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  • No meio de todos os governos que decidiam o destino dos homens, a maioria deles despóticos, governados por soberanos ou magistrados cuja autoridade se estendia sobre pessoas e propriedades, existia um império que reivindicava influência na mente humana, denominado como República das Letras. Fruto da modernidade, a República das Letras era uma espécie de comunidade (de certa forma) livre, que ao compartilharem valores comuns – cosmopolitas, tolerantes e racionais – garantiriam as trocas colaborativas de conhecimento. Desse modo, como o espaço literário tinha uma dinâmica distinta do reino político, ao ser mais fraterno entre os seus, os conflitos se tornaram evitáveis para buscar-se a máxima do saber. Com os séculos XVII e XVIII, esta concepção adquiriu maturidade e chegou às terras americanas juntamente com uma otimista expectativa em prosperar à “luz da razão”. Por conseguinte, esta dissertação estuda quais significados os hispano-americanos deram em associar-se a esse vasto reino da mente, diante das suas realidades particulares, baseando-se por quatro conceitos continuamente referenciados como classificadores da República das Letras, são eles: espaço de aprendizagem; extrapolação dos limites geográficos (redes de comunicação); igualdade entre seus membros; liberdade de expressão. A análise desenvolve-se por intermédio dos periódicos iluministas hispano-americanos, criados nas duas décadas finais do século XVIII, tendo, como objetivo principal, comprovar a iniciante, porém, empenhada, interlocução entre regiões distintas da Hispano-América (e da América com o resto do mundo), em uma aberta tentativa de robustecer o espaço literário americano. Dessa forma, a pesquisa propõe compreender se haveria, nos planos literários americanos, o indicativo de uma consciência nacional em formação. 

2
  • BENTO CHASTINET SILVA
  • Estratégias de liberdade e projetos de emancipação da Sociedade Libertadora Sete de Setembro, 1870

  • Orientador : PATRICIA VALIM
  • Data: 25/05/2020
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  • A Sociedade Libertadora Sete de Setembro foi a mais importante e robusta sociedade emancipacionista nos anos de 1870 da Província da Bahia. Desse modo, esta dissertação pretende analisar as estratégias de libertação e os projetos de emancipação desta agremiação baiana. Para este fim, fez-se necessário investigar os significados envoltos na constituição do nome da Sociedade Libertadora Sete de Setembro em terras baianas e a sua linguagem política, tendo em vista, sobretudo, as relações que envolviam a Província da Bahia e as Províncias do eixo centro-sul. Ademais, fez-se, igualmente, necessário alargar a esteira do político para entender as agências de pessoas que não compuseram a esfera política formal, assim como a relação que a Sociedade Libertadora Sete de Setembro teceu com as pessoas escravizadas que buscavam alforriar a si e aos seus naqueles anos.

Teses
1
  • MARIANA ELLEN SANTOS SEIXAS
  • INTELECTUAIS E POLÍTICOS: DISCURSOS SOBRE A LIBERDADE RELIGIOSA NO BRASIL DO SÉCULO XIX

  • Orientador : EDILECE SOUZA COUTO
  • Data: 05/03/2020
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  • RESUMO

    Considerando o cenário político de século XIX, as demandas pelas garantias de direitos civis para
    pessoas não católicas eram um tópico em alta nas discussões que apareciam nos jornais e nos
    discursos dos políticos no Parlamento brasileiro. Os grupos protestantes, principais beneficiários
    desses direitos, a princípio, durante muito tempo disseminavam a ideia que o Estado Imperial lhes
    abriu as portas voluntariamente, criando um mito de origem que foi considerado durante muito
    tempo o ponto de partida de vários estudos sobre o protestantismo no Brasil. Neste trabalho, o
    objetivo é questionar essa ideia e, através dos discursos proferidos por intelectuais do período,
    mostrar os dilemas que envolviam a liberdade religiosa, liberdade de culto, imigração,
    “modernização” do país e imigração, bem como discutir como não foi, de forma alguma, um
    consenso a crença na melhoria do país através da importação de imigrantes europeus não católicos,
    a permanência da escravidão como modelo de relações de trabalho e o cotidiano de debates que
    misturavam os poderes seculares e os espirituais.

2
  • RAFAEL ROSA DA ROCHA
  • Curas Maravilhosas: curadores itinerantes no Brasil Republicano (1898-1905).

  • Orientador : GABRIELA DOS REIS SAMPAIO
  • Data: 19/03/2020
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  • Nesta tese abordamos a relação entre o sobrenatural e a ciência no contexto republicano, a partir de lances da trajetória de três curadores brancos e letrados que curavam a partir da imposição das mãos, a saber: Eduardo Silva, Faustino Ribeiro Júnior e Domingos Ruggiano. Para tanto, discutimos as estratégias de divulgação de seus poderes curativos e as distinções que eles tentavam fazer de sua prática em relação à medicina alopática, já que atraiam gente dos mais diversos grupos dos locais por onde passavam. Buscamos entender como o sobrenatural foi utilizado ora para interpretar a prática curativa como "maravilhosa", ora utilizada para desqualificar os praticantes de artes curativas de origem africana qualificando-as como "supersticiosas". Destacamos, a partir da popularização da prática dos curadores, as tensões em torno da liberdade profissional, questão sensível durante o período estudado, tentando entender em que direção caminhava o pensamento médico e jurídico em relação ao tema. Analisamos ainda a forma como médicos e políticos entendiam a atuação dos curadores, dizendo que eles curavam a partir dessa ou daquela influência, colocando em perspectiva a noção de “sugestão” utilizada com maior frequência pelos doutores para enquadrá-los no exercício ilegal da medicina. Finalmente, ponderamos sobre a itinerância de Faustino Ribeiro pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Pará, o que permite entender como diferentes instituições de diferentes lugares lidaram com o curador e sua prática curativa e as estratégias que ele utilizou para lidar com essa realidade. A partir desse conjunto elementos, buscamos compreender o porquê de tamanha adesão ao processo curativo dos curadores no contexto em que a medicina passava por significativos avanços na maneira com compreendia as enfermidades e na forma de lidava com os enfermos. 

3
  • AUGUSTO FAGUNDES DA SILVA DOS SANTOS
  • É FIADO OU EM DINHEIRO DE CONTADO? O CRÉDITO NA BAHIA COLONIAL (1777-1808)

  • Orientador : LINA MARIA BRANDAO DE ARAS
  • Data: 25/05/2020
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  • Esta tese analisa o mercado creditício da Bahia e o seu nível de liquidez, com ênfase na
    importância do crédito para a retomada da sua economia de exportação no período
    compreendido entre 1777 a 1808. Identifica o perfil dos agentes que viabilizaram este
    financiamento, destacando os principais negociantes da praça comercial da Bahia. Estes
    indivíduos induziram o estabelecimento de mecanismos políticos capazes de reduzir a
    concorrência de algumas instituições no mercado creditício da Bahia no final do período
    colonial. Esta estratégia adotada pela alta elite econômica baiana permitiu investir cada vez
    mais, e com liberdade, no grosso trato da atividade creditícia local. Este aspecto consistiu em
    um dos principais fatores endógenos para explicar a retomada da produção açucareira e o
    alavancamento de demais culturas de exportação da Bahia no período. Esta pesquisa também
    relativiza uma vinculação tácita corrente na historiografia entre atividade creditícia e escassez
    monetária, demonstrando que a referida exiguidade de moedas não era uma característica de
    ordem estrutural, mas sim, conjuntural. Na Bahia do final do período colonial não havia
    escassez monetária; o que ocorreu foi uma crescente manipulação artificial desta escassez e
    do crédito, praticada pelos negociantes da praça mercantil da Bahia através do controle da
    política de fornecimento de crédito, promovendo uma hiperconcentração da moeda e do
    crédito sob sua posse e controle. Deste modo, o crédito e a moeda circularam de modo
    diferente nos diversos segmentos sociais. Por fim, analisamos a trajetória econômica de
    Custódio Ferreira Dias, um dos mais ricos negociantes e mais poderosos credores da Bahia no
    final do período colonial. Sua trajetória desvela, em boa medida, o comportamento social do
    grupo dos homens de negócio na Bahia. Investigou-se os seus investimentos, estratégias e
    atitudes, seus principais locais de atuação e a composição do seu patrimônio, destacando a
    relevância das dívidas ativas em seu processo de enriquecimento.

4
  • RUTE ANDRADE CASTRO
  • Mundos do trabalho no seu fazer-se. Britânicos, livres, libertos e escravizados (Brasil, 1880-1905).

  • Orientador : ANTONIO LUIGI NEGRO
  • Data: 25/08/2020
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  • A tese aqui apresentada mostra importantes aspectos dos mundos do trabalho no Brasil entre 1880 e 1905, desvelando complexidades, nuances e, dessa maneira, contribuindo para a historiografia sobre o trabalho e os trabalhadores no Brasil em um período tão caro da nossa história, quando as discussões em torno do trabalho de livres e escravizados eram tão vívidas. Tal tema é bastante amplo, e esta tese de modo algum tem ambição de esgotá-lo, tendo sido adotada uma metodologia de maneira a delimitar a discussão através da priorização de fontes produzidas por britânicos no Brasil, as quais mostraram peculiaridades e complexidades de relações de trabalho rurais que são pouco conhecidas ou debatidas. Assim, tem por objetivo apresentar como os britânicos viram os mundos do trabalho no Brasil, debatendo seus diferentes pontos de vista sobre um tema tão complexo, bem como discutir a participação de alguns deles nesses mesmos ambientes laborais os quais eles não apenas observaram, mas por vezes também vivenciaram e sobre o qual redigiram. Trata-se de textos jornalísticos, relatos de viagem e documentação consular de onde se mostrou possível extrair a forma através da qual muitos deles registraram suas experiências relacionadas aos mundos do trabalho no Brasil, num constante exercício de alteridade. Opinaram sobre a escravização de povos africanos e seus descendentes, criticaram os trabalhadores livres do interior do país, e também muitos de seus próprios conterrâneos, trabalharam junto com os brasileiros, contrataram mão de obra cativa, liberta ou livre, tudo de acordo com suas conveniências, enfim, escreveram sobre o que viram e viveram, é certo, às vezes com seus próprios olhos, às vezes com os do Império Britânico. 

2019
Dissertações
1
  • GABRIEL SILVA DE JESUS
  • TANTO NEGÓCIO E TANTO NEGOCIANTES: A CIDADE DE SALVADOR, NA COLÔNIA UMA CIDADE COMERCIAL (1750-1808)

  • Orientador : LINA MARIA BRANDAO DE ARAS
  • Data: 05/02/2019
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  • Esta dissertação tem por objeto de estudo a atuação dos comerciantes denominados lojistas de
    secos e vendedoras (es) de molhados, na cidade de Salvador, no período de 1750 a 1808. A
    pesquisa procurou discutir as atividades mercantis desenvolvidas por eles, procurando
    observar, em grande parte, suas articulações dentro da economia colonial. Deve-se, em todo
    caso, considerar determinados elementos viabilizadores das nossas análises, por exemplo,
    quais seriam suas estratégias para buscar crédito, receber e pagar as dívidas, diversificar sua
    economia e dinamizar os espaços atuantes mercantis. Dessa forma, analisaremos as
    mercadorias das lojas e vendas, demonstrando haver diferenças de tipos e preços, permitindo
    observá-las dentro das condições hierárquicas na sociedade colonial, fazendo com que as
    vendas se voltassem mais para o consumo dos pobres e as lojas atendessem aos moradores
    dos setores intermediários. Além disso, traçamos um perfil desses comerciantes, os quais
    encontramos atuando nos regimentos militares, adquirindo as principais vestimentas da Corte
    e cadeiras de arruar. Verificaremos como os lojistas e os vendedores se inseriam na camada
    social intermediária, não se incluindo no grupo dos mais abonados negociantes na Capitania.
    A documentação utilizada para analisar esses comerciantes foram os inventários e testamentos
    presentes no Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB).

2
  • HUGO SANTIAGO MENDES
  • O BOMBARDEIO DE 1912: Disputa política e cotidiano na Bahia na Primeira República.

  • Orientador : ANTONIO LUIGI NEGRO
  • Data: 11/02/2019
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  • Este trabalho analisa o processo de luta pelo poder travado no estado da Bahia durante
    as primeiras décadas da Primeira República, fator fortemente influenciado pelo projeto
    político federal denominado pela historiografia brasileira de política das salvações. O
    salvacionismo executado durante o governo do presidente Hermes da Fonseca que
    visava a substituição dos grupos políticos tradicionais nos estados da nação, grupos que
    por algum motivo não conseguiram estabelecer os acordos necessários entre estado e
    União, atingiu a Bahia em janeiro de 1912. A busca pelo poder entre os grupos
    oligárquicos tradicionais, representado por Severino Vieira, José Marcelino, Aurélio
    Vianna e Rui Barbosa, contra um grupo oligárquico que busca ascensão, capitaneado
    por José Joaquim Barbosa resultou no bombardeio da cidade do Salvador em 10 de
    janeiro de 1912. Neste conflito onde as fortificações da cidade, o Exercito a Polícia
    Militar e a imprensa, foram utilizados pelos grupos políticos de acordo com as seus
    interesses, a população se viu envolvida num conflito que alterou o cotidiano da cidade
    por dias. As ações populares frente ao bombardeio e as consequências desta luta pelo
    poder serão refletidas nesta pesquisa.

3
  • VALNEY MASCARENHAS DE LIMA FILHO
  • COMÉRCIO E TRÁFICO INTERPROVINCIAL DE ESCRAVOS EM SALVADOR 1840-1880

  • Orientador : MARIA DE FATIMA NOVAES PIRES
  • Data: 24/04/2019
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  • Esse trabalho aborda traficantes que se dedicaram ao tráfico interno de escravos na
    província da Bahia entre 1840-1880. O tráfico interno de escravos remonta ao século
    XVIII, e foi responsável pelo envio de africanos escravizados para exploração de ouro no
    interior do Império. Contudo, com o fim do contrabando ilegal de africanos, em 1850, o
    tráfico interno de escravos foi o único responsável pelo abastecimento da mão de obra
    necessária para a produção nas fazendas de café do Sul. Nesse contexto, pessoas
    escravizadas saíram da província da Bahia, por intermédio dos traficantes internos de
    escravos que mobilizaram amplas redes comerciais. Esse tráfico foi muito lucrativo,
    traficantes internos estavam inseridos em diferentes ramos do comércio e da indústria e,
    certamente, o capital do tráfico impulsionou seus negócios. Na Bahia, Salvador foi uma
    cidade importante nesse trânsito comercial. Este trabalho aborda o tráfico interno através
    dos registros das Emissões de Passaporte e das escrituras de compra e venda de escravos
    da freguesia da Sé, em Salvador, entre os anos de 1840-1880.

4
  • GEORGE SOUZA BRITO
  • História de Salvador em tempo presente: o princípio da sustentabilidade e dois projetos de modernidade em disputa
    (2004-2016)

  • Orientador : LAURA DE OLIVEIRA
  • Data: 23/05/2019
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  • Entre 2004 e 2016, dois projetos de modernidade urbana disputaram o futuro da cidade de Salvador, por meio de um embate pela elaboração das regras urbanísticas que definiriam a forma de ocupação do espaço urbano soteropolitano, principalmente o da região da Avenida Luiz Viana Filho (Paralela). Essa se tornou a grande referência espacial da disputa. Sem escapar de ações e discursos complexos, ambíguos e até contraditórios, esses projetos partiram de compreensões conflitantes sobre a cidade nas diferentes apropriações de sentido sobre a noção de desenvolvimento sustentável. As distintas significações atualizaram cada uma à sua maneira dúvidas, típicas da modernidade contemporânea, sobre as consequências do progresso técnico, científico e econômico e a relação dele com a natureza. Nessa tensão, ambos os projetos partiram de uma mesma matriz política e epistemológica, denominada de “princípio da sustentabilidade”, apropriando-se de saberes jurídicos e científicos do Direito e do Urbanismo, que foram utilizados como recursos político-discursivos na esfera pública para construção de significados sociais sobre como deveria ser o desenvolvimento urbano da capital baiana. De um lado, ambientalistas, cientistas do urbano e promotores de Justiça, colocando-se como tutores da democracia urbana e ambiental, acionaram, como elemento interno do desenvolvimento sustentável, a ideia de direito à cidade, reatualizando o horizonte de expectativa da fase de redemocratização do Brasil institucionalizado no pacto constitucional de 1988. Na defesa desse projeto, eles formaram o que é chamado aqui de “aliança verde”. Do outro lado, agentes do Poder Público municipal, governo e parlamento, e empresários do setor imobiliário formaram a “aliança imobiliária”. Essa acionou um sentido de sustentabilidade no qual a privatização do espaço foi apresentada como garantia de preservação do meio ambiente. Por meio do poder econômico e político, a “aliança imobiliária” enfraqueceu a recepção prática da agenda do direito à cidade na sociabilidade urbana, que se relacionou no período a demandas cotidianas e às respostas dadas a elas na reprodução do capital. Nessa disputa que pautou o debate público local, o último projeto predominou nas transformações urbanísticas ocorridas na cidade, sobretudo na região da avenida. Embora tenha atenuado o alcance da privatização do espaço urbano por meio da ênfase à proteção do meio ambiente, a “aliança verde” viu a noção político-epistemológica de direito à cidade perder força como se apartada fosse do desenvolvimento sustentável. Como resultado, a ideia de democracia urbana foi derrotada, expondo os limites do horizonte da Nova República.

5
  • JONATAS PEREIRA DA SILVA
  • REVOLUÇÃO E REPRESSÃO, MARCAS NO CORPO E ALMA; POR QUE NÃO ALBERTINA TORRES? (1964-1978)

  • Orientador : LUCILEIDE COSTA CARDOSO
  • Data: 17/06/2019
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  • Os impactos dos longos anos de ruptura democrática no Brasil, têm despertado interesse considerável dos estudos históricos contemporâneos. Por sua vez, as possibilidades de fontes trazidas pela Nova História Política, têm sido frequentemente aplicadas no percurso da construção desse “passado”. Ao aprofundamos os estudos acerca da ditadura civil-militar brasileira, por intermédio da autobiografia, da história oral, dos registros íntimos e pessoais e documentos oficiais de origem repressiva, somos colocados em contato com a trajetória de Albertina Rodrigues, mulher baiana com alma de artista, companheira de Nelson Pires, que teve sua vida atravessada pelos desdobramentos do Golpe de 1964. Estudante de Belas Artes, suas performances artísticas eram marcas no seu dia a dia, até mesmo quando atuou no movimento estudantil e na luta armada, sendo presa e torturada no Rio de Janeiro. Inimiga do Estado, a “opção” pela clandestinidade e pelo exílio, era o que lhe restava para permanecer viva, romper suas próprias barreiras, suportar a distância do filho e as dificuldades enfrentadas em outros países, eram desafios a serem cumpridos na (re)descoberta de si. Assim, ao ouvir o chamado de Albertina, estaremos próximos a uma das vozes femininas que se insurgiram contra a repressão e em defesa da democracia, nos apercebendo das questões subjetivas e de gênero que permearam esse percurso. Deste modo, se torna mais uma voz que se levanta e nos mostra como as representações do passado podem apresentar marcas deixadas pela conjuntura política do Brasil, ao menos até 1985.

6
  • ANTONIO SALES DA CRUZ JUNIOR
  • REORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO PETROLEIRO E PETROQUÍMICO E A CRIAÇÃO DO PT EM ALGOINHAS/BA (1974-1984).

  • Orientador : LUCILEIDE COSTA CARDOSO
  • Data: 28/06/2019
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  • A dissertação analisa a história do movimento dos petroleiros e petroquímicos da
    Bahia, entre os anos de 1974-1984, e a sua influência na criação do PT em Alagoinhas/BA. O
    problema teórico-metodológico enfrentado por nós nesse estudo foi o da totalidade, da qual os
    eventos analisados são um momento determinado. Contudo, não deixamos de reconhecer as
    singularidades de cada um deles. Nos anos 1960, ocorreu, na Bahia, a primeira greve
    petroleira do país. No inicio, a Petrobrás não praticava um salário nacional, e os operários da
    RLAN, por não acharem justo receber menos que os seus co-irmãos da refinaria de
    Cubatão/SP, deflagraram o movimento denominado ―equipara ou pára aqui‖. Em 1962
    conseguiram receber integralmente igual aos paulistas e já participavam das tomadas de
    decisões administrativas da refinaria de Mataripe. Mas veio o golpe de 1964, as intervenções
    nos sindicatos e uma gestão militarizada que não dava espaço aos representantes dos
    trabalhadores. Dez anos depois, com o anúncio da distensão política e a vitória das oposições
    nas eleições, vieram as mobilizações pela correção monetária do período 1973-1977, devido
    ao ―erro‖ do governo no cálculo do índice inflacionário de 1973. O equívoco desaguou na
    reativação da vida sindical no país, com o retorno das grandes greves. Tudo isso – junto às
    movimentações nas bases petroleiras (principalmente no Rio Grande do Sul e Paulínia/SP,
    onde correu um abaixo-assinado pela correção monetária) – levou a direção da Petrobrás a
    voltar a negociar com os sindicatos. Nesse ínterim, as ―lideranças autênticas‖ já sentiam a
    necessidade de um partido para a classe trabalhadora e, em 1978, apresentaram pela primeira
    vez essa proposta num Encontro dos petroleiros, realizado em Salvador/BA.

7
  • TELMA FERREIRA DE CARVALHO
  • NA CASA E NA MESA: CULTURA MATERIAL E SOCIABILIDADE NA BAHIA DO SEGUNDO REINADO (1841-1889)

  • Orientador : MARINA REGIS CAVICCHIOLI
  • Data: 03/07/2019
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  • Esta dissertação objetiva analisar, do ponto de vista do estudo da cultura material da Bahia do século XIX, os usos dos elementos de distinção social, material e simbólica, pelas famílias vinculadas à burocracia imperial, para o fortalecimento e manutenção do status quo social. Ademais, verificamos como as mudanças nos estilos e nos usos da cultura material em análise possuem relação direta com as práticas de sociabilidade, com as dinâmicas socioculturais e com a mobilização de símbolos de poder e afetos no jogo cotidiano do século XIX. A proposta é situar historicamente os artefatos no seu contexto de produção e usos nas casas das elites da Bahia oitocentista, na tentativa de compreender a razão pela qual sobreviveram aos tempos e o processo de sua singularização nos centros culturais da Cidade do Salvador da Bahia como símbolos associados à representação nacional. Assim, pela especificidade da proposição da pesquisa, elegemos e examinamos objetos acondicionados nos seguintes museus de Salvador: no Museu de Arte da Bahia (MAB), no Museu Carlos Costa Pinto (MCCP) e na Academia de Letras da Bahia (ALB). A leitura da iconografia desta cultura material explicitou possíveis estratégias dos proprietários na materialização da distinção social por meio dos objetos e, portanto, serviu como fio condutor para uma leitura das redes de sociabilidade entre as elites da Bahia do Segundo Reinado (1841-1889), recorte deste estudo. Trata-se de uma análise que articula fontes de natureza distinta, úteis para situar e compreender a historicidade desses artefatos que se encontram descontextualizados nesses centros de memória e, com isso, produzir uma interpretação histórica acerca do sentido dos seus usos nas casas e mesas das elites na sociedade brasileira, à época. Vimos como as casas e as mesas das elites da Bahia oitocentista tiveram um papel importante na orientação pedagógica dos sentidos e na condução de práticas sociais que contribuíram para o fortalecimento da coesão das elites no império brasileiro sob o manto de dom Pedro II.

8
  • ELLEN CRISTINA MARQUES LUZ
  • DOM TOMÁS DA ENCARNAÇÃO COSTA E LIMA: PERFIL DE UM PRELADO POMBALINO (1723-1784)

  • Orientador : GEORGE EVERGTON SALES SOUZA
  • Data: 04/07/2019
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  • A presente dissertação tem por objetivo o de discutir, através da trajetória e ação episcopal do décimo bispo de Pernambuco, D. Tomás da Encarnação Costa e Lima, o perfil dos prelados diocesanos nomeados durante o período historiograficamente designado como “pombalino”, que coincide com os vinte e sete anos do reinado de D. José I, de 1750 a 1777, e da ação ministerial de Sebastião José de Carvalho e Melo, conde de Oeiras e marquês de Pombal. Os impactos das reformas pombalinas de cunho regalista no seio da Igreja portuguesa foram duradouros. Como o termo regalista deixa entrever, estas reformas pretenderam submeter todo o temporal da Igreja ao domínio do Estado, que se pretendia centralizador, e para isso contou com um grande número de agentes e de mecanismos que garantiram o sucesso do projeto pombalino para a igreja portuguesa. Os bispos, com o seu caráter misto de homens da igreja e de homens do estado, foram contributos essenciais nesse processo, tanto no que tange à defesa teórica do regalismo pombalino, quanto à aplicação prática das suas reformas.

9
  • CARLA DA SILVA DE SALES
  • A IMPRENSA QUE EDUCA: O JORNAL DAS SENHORAS E A FORMAÇÃO MORAL E INTELECTUAL FEMININA (1852-1855)

  • Data: 05/07/2019
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  • Este trabalho versa sobre o Jornal das Senhoras, periódico brasileiro que circulou no Rio de Janeiro e províncias entre 1852 e 1855. Fundado e dirigido, durante os quatro anos de sua existência, apenas por mulheres, o jornal teve por principal finalidade a ilustração, o melhoramento social e a emancipação moral da mulher. Os textos nele veiculados eram de cunho informativo, recreativo e, sobretudo, educativo. É a este último aspecto que o presente trabalho direciona centralmente sua análise. No século XIX, a imprensa no Brasil, influenciada pelos ideais das Luzes, assumiu a função de agente educativo, e o conteúdo por ela propagado visava, entre outros objetivos, promover a instrução do seu público. O Jornal das Senhoras abordou a educação da mulher nos âmbitos intelectual, cultural, social e comportamental, com vistas à formação daquelas a quem ele dedicava as suas páginas. O objetivo desta dissertação é discutir os modos como o periódico investia na produção da mulher “ilustrada”, e compreender quais características ela deveria possuir para ser identificada como tal. 

10
  • MAYARA PRISCILLA DE JESUS DOS SANTOS
  • MARIA ODÍLIA TEIXEIRA: A PRIMEIRA MÉDICA NEGRA DA FACULDADE DE MEDICINA DA BAHIA (1884- 1937)

  • Orientador : IACY MAIA MATA
  • Data: 05/07/2019
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  • Na presente dissertação tratamos das possibilidades apresentadas à população de cor no contexto do pós-abolição. Para tanto, utilizamos como lente a trajetória da primeira médica negra da Faculdade de Medicina da Bahia, Maria Odília Teixeira. A partir disso, discutimos a entrada das mulheres no ensino superior no Brasil; as possibilidades de estudo para as mulheres de cor; o desenvolvimento das carreiras das pioneiras na medicina; e as dimensões do casamento para essas pioneiras. Assim, percebemos que o período do pós-abolição foi palco de diversas tensões que envolviam o recorte racial e de gênero. Além da população de cor, as mulheres se fizeram atores centrais das mudanças e lutas que o início do século XX apresentava.

     

11
  • MICHELE SODRÉ DAS NEVES
  • MARIO CONDE E IVÁN CÁRDENAS: PERSONAGENSTESTEMUNHAS DA NARRATIVA PÓS-SOVIÉTICA DE LEONARDO PADURA

  • Orientador : LAURA DE OLIVEIRA
  • Data: 19/08/2019
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  • A análise desenvolvida nesta dissertação é centrada na narrativa do escritor Leonardo Padura, tendo como base a tetralogia “Estações Havana” (Pasado perfecto, Vientos de cuaresma, Mascaras, Paisaje de otoño), publicada na década de 1990, e o “O homem que amava os cachorros” (2009). Com os personagens principais de tais obras, Mario Conde e Iván Cárdenas, respectivamente, Padura reinterpreta a Cuba pós-soviética por uma perspectiva crítica e desencantada, abrindo espaço para o estudo do deslocamento do gênero policial para a América Latina. A narrativa do escritor colabora ainda para a investigação sobre o impacto da política cultural da parametrização e do “período especial” sobre os cubanos

12
  • LÍVIA CAROLINE SANTOS ALVES
  • A PRÁTICA DE ENSINO NO CURSO DE HISTÓRIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA (2001-2008)

  • Orientador : LINA MARIA BRANDAO DE ARAS
  • Data: 07/10/2019
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  • Com a constituição do campo do ensino de História, na década de 1970, criou-se uma
    legitimidade para a prática de ensino. Não mais vista como uma técnica, começou a ser estudada
    como um espaço de saber; um dos resultados da nova postura vieram com a criação de leis e
    diretrizes para aperfeiçoa-la. A pesquisa objetivou analisar como a prática de ensino, afirmada
    pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica,
    em 2001, foi implementada no curso de História da Universidade Federal da Bahia, em 2008.
    Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei no 9394/96 houve a disponibilidade
    300 horas para prática de ensino, atualizadas em 2001, pelas Diretrizes Curriculares Nacionais
    para a Formação de Professores da Educação Básica para 800 horas (400 horas para a Prática
    como Componente Curricular e 400 horas para o Estágio Curricular Supervisionado).
    Evidenciaremos como as disputas do campo do ensino de História por legitimidade se
    conformou no currículo da Universidade Federal da Bahia e como as 800 horas foram
    implementadas na reforma. A distribuição da carga horária evidenciou como os sujeitos que
    trabalharam o currículo lidaram com a legislação, com os seus conceitos de prática de ensino e
    formação do profissional de História. As mudanças não aconteceram automaticamente, mas
    influenciadas por toda uma concepção existente. Analisar a prática de ensino se faz necessário
    para refletir o arranjo possível do curso de História da Universidade Federal da Bahia. Posições
    adotadas foram observadas por meio do Projeto Pedagógico do Curso e pela ementa das
    disciplinas. Embora o currículo ressaltasse a importância da formação do professor, existia uma
    visão tradicional da prática de ensino. Começamos a dissertação com a criação das primeiras
    universidades e cursos de História, e como se desenrolou uma insatisfação e constituição do
    campo do ensino de História na redemocratização. Terminamos com a análise da Lei de
    Diretrizes e Bases da Educação Nacional e das Diretrizes Curriculares Nacionais para a
    Formação de Professores da Educação Básica e como elas se apresentaram no currículo do
    curso de História da Universidade Federal da Bahia, em 2008.

13
  • ANNE ALVES DA SILVEIRA
  • SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO ESPIONADO: A ATUAÇÃO DO SERVIÇO DE INFORMAÇÃO NA UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA (1972-1979)

  • Orientador : ANTONIO MAURICIO FREITAS BRITO
  • Data: 08/10/2019
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  • A pesquisa analisa o processo de criação e atuação da Assessoria Especial de Segurança e
    Informação, implantada na Universidade Federal da Bahia em 1972. Pertencente à estrutura de
    repressão do Estado ditatorial, este órgão teve por intuito coletar informações sobre a
    comunidade acadêmica, assessorando o reitor, no que fosse possível, em prol da “Segurança
    Nacional”. Por meio da vigilância, a Assessoria visava manter o controle da Universidade,
    evitar a proliferação da “subversão” e garantir que os atos de “rebeldia” fossem punidos pelos
    dirigentes. Para a pesquisa, foram utilizados documentos produzidos pela própria assessoria
    como relatórios, ofícios confidenciais enviados e recebidos por órgãos de informação e de
    segurança, regimentos internos, decretos, portarias e anexos como clipping de jornais
    comerciais de várias regiões do país, publicações produzidas por estudantes e as anônimas–
    divulgadas em ambientes universitários ou encontradas sob posse de universitários.
    Realizamos também entrevistas tanto com pessoas que trabalharam na assessoria, quanto com
    membros da comunidade. Além disso, algumas oitivas produzidas pela Comissão Milton Santos
    de Memória e Verdade foram investigadas. Esses documentos ampararam uma análise do
    contexto em que se deu a atuação da Assessoria, bem como dos impactos das intervenções do
    aparato repressivo no ambiente universitário.

14
  • LEANDRO DIAS DOS SANTOS
  • Devo que pagarei: comércio e crédito na Vila de Ilhéus na primeira metade do oitocentos

  • Orientador : ANA PAULA MEDICCI
  • Data: 10/10/2019
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  • RESUMO

    Esta investigação visa analisar as práticas creditícias na Vila de Ilhéus na primeira metade do
    Oitocentos, assim como seus agentes e as redes financeiras presentes na dinâmica econômica
    e social daquela vila. Nessa perspectiva, o estudo propõe compreender, a partir do crédito, as
    diversas estratégias utilizadas pelos moradores da Vila de Ilhéus para se obter bens e capitais
    num período de escassez monetária e num lugar tido como pobre e isolado do circuito
    comercial, de acordo com parte da bibliografia especializada. A base empírica dessa pesquisa
    é composta pelo banco de dados de escrituras, procurações, assim como os registros
    eclesiásticos de terras, os testamentos e; os inventários post-mortem dos principais agentes de
    crédito daquela Vila. Estas fontes revelaram uma considerável circulação monetária através
    de compras e vendas à vista de imóveis urbanos, rurais, escravizados e bens mercantis. Além
    disso, a documentação estudada mostra um importante mercado de crédito que envolveu
    pessoas de diferentes categorias sociais, que variavam desde grandes senhores de engenhos,
    pequenos lavradores, comerciantes, indivíduos detentores de cargos públicos e, até mesmo,
    escravizados. Foi possível perceber também que as relações interpessoais de amizade,
    compadrio, matrimônio e de ajuda mútua foram fundamentais para um indivíduo conseguir
    bens e capitais. A partir da análise dos inventários post-mortem dos personagens que mais
    atuaram nas escrituras de compras e vendas à vista ou a prazo, pudemos inferir que havia uma
    elite de prestamistas na localidade e que estes homens conseguiram montar redes creditícias
    que ultrapassavam as fronteiras da então Vila de Ilhéus. Assim, foi possível afirmar que
    Ilhéus no período em foco estava vivendo uma época de gradual desenvolvimento, tendo
    como elementos basilares o crédito, a especulação de terras e a produção de açúcar,
    aguardente, gêneros alimentícios e cacau, produto último que transformou a futura cidade de
    Ilhéus numa das principais cidades da Bahia no final do século XIX e ao longo do século XX.

15
  • GEORGIA DOMINIQUE VANESSA CEDRAZ LOPES
  • “TRABALHANDO POR CONTA PRÓPRIA”: MULHERES DE COR E TRABALHO URBANO NA HAVANA ENTREGUERRAS (1868-1880)

  • Orientador : IACY MAIA MATA
  • Data: 05/12/2019
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  • As duas primeiras guerras por independência e abolição da escravidão em Cuba (Guerra de Dez Anos e Guerra Chiquita) começaram no setor Oriental da ilha; posteriormente, se estenderam ao Centro; todavia, o front de combates bélicos, que devastou inúmeras cidades e vilas, zonas rurais e urbanas, não chegou a Havana, capital da colônia espanhola. Ainda assim, a população havaneira sofreu os reflexos socioeconômicos dos conflitos. Neste cenário de tensões sociais, de mudanças profundas, analisamos o mundo do trabalho urbano executado por mulheres de cor em Havana durante a segunda metade do século XIX, quando os conflitos armados ocorreram; entre 1868 e 1880. Esta pesquisa permitiu ampliar as considerações elaboradas pela historiografia acerca das contribuições socioeconômicas que as mulheres de cor deram à sociedade colonial cubana; concluímos a princípio que, muito mais que números expressivos e mão de obra basilar para o funcionamento das cidades coloniais, mesmo em meio às guerras, estas mulheres incrementaram a economia ao lutar cotidianamente por sobrevivência e liberdade, ainda que, nem sempre isso tenha significado sair do cativeiro ou ascender socialmente, e, muito pelo contrário tenha significado, incontáveis vezes, permanecer numa vida de miserabilidade. Concluímos, também que, muito mais que numerosas trabalhadoras, amplamente notadas por viajantes e expressamente presentes nos censos elaborados pelas autoridades coloniais, estas mulheres seguiram sendo incansáveis expoentes dos direitos dos de cor, iniciando processos judiciais, todavia, com novos argumentos, explicitando estarem atentas às mudanças sociais e legais que lhes rodeavam; isto é, seguiram apresentando contundentes alegações contra senhores/as de escravos, movendo processos na busca por uma vida melhor, ao mesmo tempo em que os homens de cor lutavam por liberdade no Exército Libertador. As páginas desta pesquisa tentam transpor, então, o cenário de batalhas no front, voltando-se para a análise dos combates diários que as mulheres de cor travaram mesmo não pegando em armas. Analisamos de que modo negras e mestiças lutaram para que seus ideais de liberdade e justiça fossem vitoriosos na batalha cotidiana contra a sociedade colonial. Analisamos, sob a perspectiva da História Social, as estratégias utilizadas por essas mulheres na luta por uma vida menos cruel; por acesso a espaços públicos em que a suspeição não fosse uma premissa; por uma vida sem vigilância. Ao fim e, ao cabo, concluímos que, em verdade, mesmo antes da segunda metade do Oitocentos, quando as guerras sequer haviam começado, as mulheres de cor já tinham uma tradição de luta por liberdade e melhores condições de vida, todavia, com os conflitos bélicos se expandindo por longos anos do século XIX e mudanças nas legislações e na economia ocorrendo dentro e fora da sociedade colonial espanhola, a vida dessas mulheres sofreu importantes reveses mas também seguiu em meio a relevantes permanências.

Teses
1
  • KARINE TEIXEIRA DAMASCENO
  • PARA SEREM DONAS DE SI: MULHERES NEGRAS LUTANDO EM FAMÍLIA. FEIRA DE SANTANA, BAHIA, 1871-1888

  • Orientador : GABRIELA DOS REIS SAMPAIO
  • Data: 12/07/2019
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  • Neste estudo, reconstituo a experiência das mulheres negras escravizadas, libertas e livres enquanto lutavam pela liberdade legal para si mesmas, para suas filhas e filhos, para outras pessoas da família e demais integrantes da comunidade negra, em Feira de Santana, entre 1871 e 1888. Para tanto, foram analisados documentos como ações de liberdade, assentos de batismo, atestados de óbito, cartas de alforrias, escrituras de compra e venda de pessoas escravizadas, inventários e procurações. A partir de uma abordagem qualitativa e quantitativa, as marcas deixadas por essas mulheres em seu itinerário bem como de pessoas relacionadas a elas foram cruzadas. Desse modo, foi possível saber que, a despeito da opressão interseccional sofrida de classe, gênero e raça, as mulheres negras foram personagens centrais na luta pela liberdade legal. O cruzamento destes documentos permitiu constatar que as especificidades da escravidão feminina influenciaram suas escolhas por esse tipo de liberdade. Embora, na maior parte das vezes, suas vozes somente tenham podido ser ouvidas mediadas por outros personagens, a exemplo dos curadores que as representavam nas ações judiciais, suas atuações repercutiram nas avaliações e preocupações das autoridades, da classe senhorial e de integrantes do movimento abolicionista em âmbito nacional e internacional. 

2
  • LIELVA AZEVEDO AGUIAR
  • ENTRE A POLÍTICA E A MAGISTRATURA. O BARÃO DE CAETITÉ E SUAS ARTICULAÇÕES NO IMPÉRIO (ALTO SERTÃO DA BAHIA E ALÉM, 1840-1880)

  • Orientador : ANTONIO LUIGI NEGRO
  • Data: 23/08/2019
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  • Este estudo apresenta a trajetória do magistrado José Antônio Gomes Neto, que, embora vivesse em Caetité, na região do alto sertão da Bahia, distante dos centros políticos do país, a exemplo da capital da província, Salvador, e da Corte, no Rio de Janeiro, manteve intensas e profundas articulações com a política imperial em diversos níveis. Por meio de correspondências pessoais preservadas por sua família – hoje salvaguardadas no Arquivo Público Municipal de Caetité – foi possível mapear, relacionar e analisar suas redes sociais, entre as décadas de 1840, depois que se graduou bacharel em ciências jurídicas pela academia de Olinda, e 1880, quando consolidou sua carreira, alcançando o título nobiliárquico de barão de Caetité.  Dessa forma, o presente estudo não só discute, de uma perspectiva bastante privilegiada, o quanto a formação superior foi importante para a tessitura de redes sociais no Império, no sentido de que as faculdades proporcionavam uma aproximação entre as elites de todo o país, mas também demonstra o quanto os homens mais destacados da corte, deputados, senadores, ministros e conselheiros, estiveram ligados às lideranças locais. Nessa perspectiva, também realça o papel decisivo dos termos e vilas e das lideranças regionais dentro do processo eleitoral, bem como a relação de dependência e as estreitas alianças mantidas entre o governo central e os chefes políticos locais, ponto salutar para se compreender o projeto de consolidação da nação. No caso de José Antônio Gomes Neto, a caminhada pari passu da vida profissional e política reflete ligações que ele mantinha fora do sertão, com magistrados e políticos diversos, ocupantes de diferentes posições no Império. Tendo uma carreira jurídica estabilizada, sua trajetória abre espaço para uma discussão muito fecunda sobre os meandros da política e da magistratura no Brasil imperial, palmilhando as questões em torno do público e do privado, já presente em outros estudos. A inserção em redes sociais influentes contribuiu para a conquista de posições de destaque para si, seus familiares e aliados políticos dentro e fora da Bahia, especialmente para seus sobrinhos, Joaquim Manuel Rodrigues Lima e Antônio Rodrigues Lima, que se tornaram exponenciais nas câmaras legislativas do Império. Para garantir poder político, prestígio e status, José Antônio Gomes Neto também atentou para a vida financeira, diversificando seus investimentos e alargando seu patrimônio para evitar abalos negativos em tempos de crise ou de mudanças na economia nacional. Sua trajetória desemboca na década de 1880, marcada por reformas políticas, leis relacionadas à abolição da escravatura e, por fim, à aclamação da República. Nenhum desses acontecimentos, no entanto, se interpôs ruinosamente sobre o império de poderes construído por José Antônio Gomes Neto, antes, ele soube atravessá-los com cautela e diplomacia, assegurando riqueza e poder para os seus descendentes. De modo geral, o presente estudo ilumina pontos de reflexão que devem ser considerados no estudo da política brasileira, a de outrora e a de hoje também, com suas permanências e rupturas.

3
  • ANSELMO FERREIRA MACHADO CARVALHO
  • INTELECTUAIS E POLÍTICAS CULTURAIS NO CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA DA BAHIA (1968-1987)

  • Orientador : LINA MARIA BRANDAO DE ARAS
  • Data: 29/11/2019
  • Mostrar Resumo
  • As questões culturais são importantes no entendimento da dinâmica social brasileira. A partir do estudo das políticas culturais, podemos analisar o pensamento e ação dos sujeitos e das instituições que tratam da cultura, como reagem às propostas implementadas e como o Estado lida com esse componente. O objetivo desta tese é analisar as políticas culturais desenvolvidas pelo Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC), órgão consultivo e normativo, durante o período de 1968-1987. O caráter e os sentidos da política cultural aditada pelo CEC às diretrizes do estado baiano, estavam intimamente ligados às ideias e concepções sobre cultura, memória, patrimônio, política e Estado desenvolvidas pelos intelectuais que o compuseram. Membros de uma elite cultural da Bahia, esses intelectuais deram forma e vida ao Conselho com o objetivo de manter suas práticas culturais, num contexto em que elas estavam em declínio. Essas práticas são marcadas pelo fator geração, por uma sociabilidade endógena e por uma política de memória que confluía com seus interesses e projetos. Por isso, a necessidade de se investigar como se processou a relação entre intelectuais, cultura e Estado na conformação das políticas culturais na Bahia, analisando as suas contradições, diretrizes e estratégias tendo como locus o CEC. Buscouse discutir a efetividade dos seus projetos, a relação da entidade com a sociedade, seus interesses, a morfologia de sua composição e o alinhamento/autonomia ao contexto autoritário do período, analisando os limites e possibilidades de sua ação. A pesquisa utilizou como fontes as revistas nas quais escreviam os intelectuais, jornais do período, entrevistas com ex-conselheiros e sujeitos ligados à temática, atas, resoluções, iconografia e documentos administrativos do CEC, do IPAC, da UFBA; leis e regimentos referentes à ação do governo baiano e do governo federal relacionados às políticas culturais. Palavras – chave: Intelectuais. Políticas culturais. Conselho de Cultura. Elites

4
  • DIOGO TRINDADE ALVES DE CARVALHO
  • PENSAMENTO GEOPOLÍTICO ANGLO-SAXÃO: OPOSIÇÕES ENTRE OS PODERES NAVAIS E CONTINENTAIS NO MUNDO DOS GAMES (2010-2015)

  • Orientador : LUCILEIDE COSTA CARDOSO
  • Data: 03/12/2019
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  • No decorrer desse trabalho, analisamos como as principais características do pensamento geopolítico-anglo-saxão foram representadas no enredo dos seguintes jogos de estratégia: Victoria II, Colonial Conquest, Supreme Ruler Ultimate e US and Them. Para traçarmos uma análise do desenvolvimento da literatura de grande estratégia produzida nos EUA, estudamos os clássicos da geopolítica escritos por, Alfred Mahan, Halford Mackinder, Geroge Frost Kennan e Zbigniew Brzezinski. Nosso estudo, partiu da hipótese de que os jogos eletrônicos são importantes instrumentos de propaganda e entretenimento, com grande apelo popular na atualidade e que recebem influência direta e indireta das reflexões produzidas por cânones da geopolítica norte-americana e inglesa. Para desvendarmos como a relação entre militarismo e entretenimento foi estabelecida, discutimos como o complexo de entretenimento militar contribuiu para a gênese dos jogos eletrônicos e se constituiu como um conceito que exemplifica a relação de simbiose entre as duas indústrias. Nós também refletimos como os games carecem de um ferramental metodológico que facilite os trabalhos dos historiadores ao trabalharem com esse tipo de fonte. No processo de pesquisa não analisamos somente os jogos e os originais desses autores, mas também utilizamos como fontes primárias os diários de desenvolvimento dos games, trailers, teasers, conteúdo dos sites dos jogos, depoimentos, publicações especializadas, entrevistas dos desenvolvedores e documentos oficiais do departamento de Estado norte-americano e outros órgãos governamentais 

5
  • LEANDRO PATRICIO DA SILVA
  • “PERNAMBUCANIDADE NA SUA EXPRESSÃO REPRESENTATIVAMENTE POLÍTICA”: A FABRICAÇÃO DA CULTURA POLÍTICA DA PERNAMBUCANIDADE (1964-1988)

  • Orientador : MILTON ARAUJO MOURA
  • Data: 16/12/2019
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  • O objetivo desta tese é discutir o processo histórico de fabricação da pernambucanidade entre
    os anos 1964-1988. Especificamente, discute a criação das condições de produção, o início do
    processo de construção, a hegemonia e dissolução da pernambucanidade ao longo desses anos,
    apropriando-se da mesma a partir do conceito historiográfico de cultura política, entre outros,
    fundamentado nos trabalhos de autores como Serge Berstein, Odile Rudele, Jean-François
    Sirinelli, Rodrigo Patto de Sá Motta, entre outros autores. O corpus da pesquisa foi constituído
    por fontes, como o Diário Oficial do Estado de Pernambuco, alguns editoriais do Diário Oficial
    União, pelas Revistas e os Livro de Atas do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico
    Pernambucano, as Revistas da Academia Pernambucana de Letras, alguns editoriais da revista
    Veja e do Boletim SHPHAN/Pró-Memória, algumas obras da Coleção Pernambucana, várias
    Atas dos Anais da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco, inúmeros editoriais do
    Diario de Pernambuco, Jornal do Commercio, entre outros, bem como pelo filme “Batalha dos
    Guararapes”, de 1978, e a música “Recife, minha cidade”, de 1984, entre outras fontes. Após
    um trabalho de compilação, foi dado a este corpus um tratamento crítico, não se tomando as
    informações das fontes como verdades, mas cruzando-as com as de outros documentos, naquilo
    que foi possível, para problematiza-las. O trabalho está organizado em quatro capítulos. No
    primeiro discute a criação das condições de fabricação da pernambucanidade; no segundo,
    discute a configuração que levou ao início do processo de construção da mesma; no terceiro, a
    configuração que levou a pernambucanidade a se tornar uma cultura hegemônica em
    Pernambuco; e, por fim, no quarto, discute os seus múltiplos sentidos e o processo que levou
    a sua dissolução, enquanto cultura política, no governo estadual. A tese defendida, como
    resultado da compilação, análise e interpretação dos dados coletados, sob as grades conceituais
    dos autores citados, é a de que a pernambucanidade foi uma cultura política fabricada e
    sustentada por intelectuais e políticos conservadores ligados a Academia Pernambucana de
    Letras e ao Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, liderados por
    Gilberto Freyre, que estiveram à frente dos órgãos responsáveis pelas políticas culturais do
    governo do Estado de Pernambuco e do governo federal durante praticamente todo o período
    da ditadura civil-militar e que tinham na memória idealizada das Batalhas dos Guararapes o seu
    mito-fundador. Esta tese pretende contribuir para a ampliação do conhecimento historiográfico
    acerca da colaboração de sujeitos e instituições da sociedade civil com o regime ditatorial, bem
    como para o melhor conhecimento da história do Brasil e, particularmente, da história de
    Pernambuco. Pretende, ainda, poder ser usada por indivíduos e grupos que desejem aprender a
    desvelar os dispositivos e mecanismos de racionalidade que fazem funcionar culturas políticas
    no presente.

2018
Dissertações
1
  • JOSEANE PEREIRA DE SOUZA
  • Relações de gênero e sexualidades no confessionário sacramental: a solicitação como transgressão nos Cadernos do Promotor e Regimentos da Inquisição, século XVII.

  • Orientador : MARCELO PEREIRA LIMA
  • Data: 28/03/2018
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  • A presente dissertação buscou analisar os casos de solicitação registrados nos Cadernos do Promotor do Tribunal da Inquisição de Lisboa, século XVII. A solicitação foi uma prática sexual e/ou amorosa ocorrida entre sacerdotes confessores e penitentes no confessionário sacramental, durante a realização da confissão. Essa prática foi considerada um delito da alçada inquisitorial devido a preocupação crescente em torno do sacramento da confissão, principalmente a partir Concílio de Trento. Neste concílio, projetou-se a reforma interna da Igreja católica e depositou-se sobre o clero a responsabilidade pela manutenção da ordem católica, por isso, houve uma maior preocupação com a moralização do corpo clerical. Nesse sentido, produziu-se um ideal de masculinidade clerical, o qual buscou-se analisar aqui. Por meio dos registros de solicitação, os Cadernos do Promotor também reproduziam estereótipos de masculinidades e feminilidades Dessa forma, buscamos mapear e analisar como a documentação determina ou não os lugares e funções sociais de sujeitos masculinizados e feminilizados, através dos casos de solicitação. Enfatiza-se a Inquisição, destacando as atividades e discursos do tribunal que atendiam aos interesses da Igreja, mas também do Estado. Almeja-se contribuir para a construção de uma História Relacional e Institucional do Gênero, a partir da pesquisa sobre as práticas de solicitação tendo o gênero como categoria de análise.

2
  • ANTONILDO SANTOS DE MAGALHÃES
  • A COLHEITA DAS ALMAS DISPERSAS: as missões itinerantes jesuíticas na América portuguesa
    Salvador,

  • Orientador : GEORGE EVERGTON SALES SOUZA
  • Data: 31/03/2018
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  • Esta dissertação estuda as missões do interior realizadas pela Companhia de Jesus, no arcebispado da Bahia, entre os anos de 1700 a 1752, com o objetivo de compreender o processo de controle dos comportamentos dos indivíduos efetivado pela Igreja na América portuguesa. Pautando-se pela noção de disciplinamento social, este trabalho investiga o papel desempenhado pelos missionários itinerantes na ação desenvolvida pela Igreja Católica que tinha o intuito de internalizar um conjunto de normas na população colonial. Dá-se bastante atenção ao aspecto dialético da ideia de disciplinamento, e para tanto são analisadas as constantes negociações e adequações demandadas pela realidade da colônia e da sua população. A partir da análise de documentos que tratam da ação missionária jesuítica, principalmente, as cartas ânuas, constata-se que as missões itinerantes foram bastante relevantes para a assistência religiosa da população que habitava os recôncavos e sertões da Bahia. Os inacianos levaram as palavras do Evangelho aos moradores que não tinham a presença regular de um pároco ou de um missionário e que temiam pela danação de suas almas. Os missionários itinerantes tiveram, também, o papel de enquadrar os indivíduos que não conheciam os preceitos da religião católica, ou ainda, aqueles que conheciam a doutrina católica, e que, por escolha, não os seguiam.

3
  • DEBORA HEVELLY ALMEIDA PEREIRA
  • O DIABO NO CLAUSTRO: FREIRAS PACTUANTES NA INQUISIÇÃO DE LISBOA (SÉCULOS XVII-XVIII)

  • Orientador : GEORGE EVERGTON SALES SOUZA
  • Data: 31/03/2018
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  • RESUMO
    Entre os séculos XVII e XVIII, a Inquisição de Lisboa inquiriu seis religiosas do clero regular devido suas práticas heréticas que as enquadravam no crime de feitiçaria. Diferente da grande maioria dos processos abertos contra portuguesas leigas pelo mesmo delito, esses casos se iniciaram após as freiras terem confessado, voluntariamente, que realizaram pactos com o demônio, o adoraram, mantiveram relações sexuais com ele, dentre outros atos abominados pela Igreja. Tendo em vista os estudos da História Social e Cultural que se preocuparam em identifica o sentido da feitiçaria para os doutos e população não letrada, o nosso objetivo é analisar tais casos procurando compreender o que essas relações com o diabólico significaram para as Esposas de Cristo. Nesse sentido, primeiro nos preocuparemos em verificar a origem social das rés, por que e como ingressaram nas ordens religiosas e como poderia se viver em seus conventos. Em seguida, buscaremos captar que tipo de comportamento as levaram a cair nas malhas do Santo Ofício e sob quais meios elas se apresentaram. Por fim, analisaremos tais práticas com o demoníaco no contexto da religiosidade portuguesa da época, para entendermos o que poderia ter significado para essas mulheres seu suposto envolvimento com o diabólico. Com a nossa pesquisa, esperamos contribuir para um entendimento mais diversificado a respeito da vida conventual e agência feminina diante das condições impostas às mulheres no período moderno.

4
  • JÉSSICA SANTOS LOPES DA SILVA
  • O IMPÉRIO DAS CIRCUNSTÂNCIAS: CARNAVAL E DISPUTAS POLÍTICAS NO PÓS-ABOLIÇÃO (SALVADOR, 1890-1910)

  • Orientador : WLAMYRA RIBEIRO DE ALBUQUERQUE
  • Data: 10/07/2018
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  • O objeto desta dissertação são as festas carnavalescas de Salvador, durante as duas
    primeiras décadas da República. Seguindo o viés dos estudos da História Social da Cultura,
    enxergamos esse lugar festivo como espaço onde também são construídas as relações sociais,
    incluindo suas tensões e conflitos. A imprensa é uma das principais fontes, percebida não só
    como forma de divulgação, mas também como lugar de construção de imagens e práticas nos
    dias momescos. Portanto, através das crônicas carnavalescas, dos temas e versos apresentados
    nos desfiles, analisamos as escolhas dos grupos que festejavam e como estavam ligadas aos
    diferentes projetos de nação, e aos questionamentos acerca de problemáticas, provenientes
    daquela sociedade que encarava um novo regime. Nesta imprensa, percebemos a atuação de
    clubes negros, que através das exibições nos carnavais, renegavam estereótipos e afirmavam
    sua cidadania. Nesse trabalho, também buscamos identificar alguns sujeitos que participavam
    da organização dos carnavais e de alguns clubes. Por isso, as listas de participantes dos
    clubes, associações e das comissões carnavalescas são fontes aqui privilegiadas.

5
  • DAIANA SILVA BARBOSA
  • “DO QUE É TEATRO A BAHIA”: DISPUTAS POR CARGOS E JURISDIÇÃO NO SERTÃO DO SÃO FRANCISCO (1878-1880)

  • Orientador : LINA MARIA BRANDAO DE ARAS
  • Data: 06/08/2018
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  • RESUMO
    O presente trabalho dedica-se à análise das disputas por cargos na estrutura jurídicoadministrativa
    do Império, na vila de Macaúbas, Sertão do São Francisco, e suas conexões entre
    a política local, provincial e central durante os anos de 1878 a 1880. As disputas ocorreram em
    um momento de mudança política no Brasil, quando ascendeu o Gabinete Liberal com a
    incumbência de realizar a reforma eleitoral. Tais conflitos tinham por motivação inicial as
    demissões e nomeações processadas a partir da política liberal na província da Bahia,
    especialmente nos quadros administrativos e policiais. Além disso, colocaram em terreno as
    rivalidades entre as parcialidades locais, liberal e conservadora, desencadeando um quadro de
    instabilidade política que comprometeu as funções policiais e jurídicas naquele termo.
    Examinamos o papel dos agentes estatais no Sertão do São Francisco, especialmente no que
    concerne suas relações e inserções políticas e como isso se processou no exercício de suas
    funções. Identificamos que tais agentes se encontravam entre a política e a estrutura estatal,
    estabelecendo relações, por vezes, sem distinção evidente entre as esferas pública e privada,
    assim, seus interesses, sobrepunham-se aos interesses do governo provincial e central,
    comprometendo a jurisdição naquele espaço. Privilegiamos, ainda, a análise dos discursos
    produzidos sobre os eventos, tanto pelas autoridades, através de relatórios, correspondências e
    discursos, quanto pela imprensa.
    Palavras-chave: Política; Disputas por cargos; Jurisdição; Sertão do São Francisco; Macaúbas.

6
  • LUCAS ANDRADE DOS SANTOS
  • “EM QUE A RAÇA PRECISA DE DEFESA?” A FRENTE NEGRA DA BAHIA (1932-1934)

  • Orientador : IACY MAIA MATA
  • Data: 23/08/2018
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  • Na presente dissertação, analiso a trajetória da Frente Negra da Bahia, que existiu em
    Salvador entre os anos de 1932 e 1934. Apresento também parte da trajetória de Marcos
    Rodrigues dos Santos, principal liderança da FNBa, além de alguns outros componentes
    que também a compuseram. Os anos 1930 foram deveras especiais para a história da
    República Brasileira, desse modo, buscar uma compreensão cada vez mais rica desse
    panorama histórico se apresenta como um requisito importantíssimo para entender
    melhor as relações de poder aí estabelecidas, as posturas dos trabalhadores diante
    daquele quadro, uma sociedade marcadamente hierarquizada e racializada e as suas
    reações. Uma rica tradição de associação por identidades sociais e de cor, junto com o
    sucesso da Frente Negra Brasileira (1931-1937), fatalmente potencializou a fundação da
    FNBa, que teve sua agenda concentrada principalmente na instrução, na política e nas
    eleições de maio de 1933 e na assistência social, com destaque para atuação de
    Departamento Feminino nessa atividade. Através de uma busca expressiva nos jornais
    de grande circulação de Salvador, em alguns periódicos da chamada “imprensa negra”,
    bem como na documentação judiciária e cível do período no APEB, consegui avançar
    significativamente nas discussões sobre a FNBa. Sua existência entre 1932 e 1934, sua
    aproximação com o integralismo na Bahia e sua inserção entre os trabalhadores e seu
    mundo, fomentando uma pauta racializada, não só entre as suas associações de classe,
    como em seus bairros, podem ser elencados como as principais contribuições que a
    Frente Negra da Bahia ofereceu, ao longo de sua existência, além de ter proposto
    ressignificações sobre a história do Brasil, com destaque para a positivação e o
    protagonismo negro nesse processo.

7
  • MAIARA ALVES DO CARMO
  • Rerum novus nascitur ordo: a trajetória de Francisco Agostinho Gomes (1769-1842).

  • Orientador : ANA PAULA MEDICCI
  • Data: 22/10/2018
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  • Francisco Agostinho Gomes atuou nos bastidores políticos, econômicos e intelectuais
    da Capitania e, posteriormente, Província da Bahia ao longo de sua vida. Porém, há
    poucos estudos sistemáticos e lacunas acerca de sua trajetória na historiografia.
    Pretende-se aqui vislumbrar a trajetória política e intelectual de Francisco Agostinho
    Gomes, inserindo-o no contexto de transformações políticas que agitaram a Bahia nas
    últimas décadas do século XVIII até a consolidação da Ordem Imperial brasileira.
    Objetiva-se também discutir as atividades literárias deste intelectual, suas publicações e
    experiência como jornalista à frente do “Jornal da Sociedade de Agricultura,
    Commercio e Industria da Provincia da Bahia” (1832-1836), bem como avaliar a sua
    fortuna e inserção econômica na Bahia. O referido personagem foi um dos ilustrados
    luso-brasílicos que atuaram no Império português, entre a segunda metade do século
    XVIII e primeira metade do século XIX, para fazer emergir uma nova ordem de coisas
    influenciadas pelo reformismo ilustrado português, alinhado aos seus interesses e com
    os da Coroa portuguesa. Esteve à frente de diversos empreendimentos com o objetivo
    de aprimorar a instrução pública, economia, comércio, agricultura, indústria e ciências
    na América portuguesa, tais como, entre outros, a Biblioteca Pública da Bahia e a
    Sociedade de Agricultura, Comércio e Indústria da Província da Bahia. Passados mais
    de um século e meio, sua vida e escritos permanecem pouco visibilizados. Sua obra
    política, jornalística e filosófica merece ser recuperada, antes que seja perdida em
    definitivo. O estudo de sua trajetória política e intelectual possibilita-nos uma nova
    perspectiva acerca da dinâmica social e econômica do Império português, sobretudo da
    Bahia, no referente período.

8
  • MARINA LEÃO DE AQUINO BARRETO
  • “CRIADA, NÃO, EMPREGADA!” CONTRASTES E RESISTÊNCIAS SOB A VIGÍLIA DOS PATRÕES NA REGULAMENTAÇÃO DO TRABALHO DOMÉSTICO LIVRE AO FINAL DO SÉCULO XIX EM SALVADOR

  • Orientador : GABRIELA DOS REIS SAMPAIO
  • Data: 19/11/2018
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  • Em 5 de janeiro de 1887, um conjunto de posturas para disciplinar o trabalho doméstico,
    em Salvador, foi publicado pela Câmara Municipal da cidade. Inspirado numa sucessão
    de regulamentos aprovados em outros lugares do Brasil e do mundo, estabelecia que os
    criados de servir fossem matriculados na Secretaria de Polícia e retornassem, anualmente,
    para atualização dos dados da matrícula. A normativa regia diversos aspectos das relações
    de trabalho, entre os empregadores e os trabalhadores domésticos, que viviam contexto
    de tensão, entre a necessidade de controle, por parte dos patrões, em um processo de
    abolição iminente, e a conquista de direitos e o sentimento de liberdade, por parte dos
    criados. É importante frisar o acirramento do conflito, em decorrência do crescente
    racismo científico e clima de suspeição aos trabalhadores. A necessidade de inscrição
    resultou em um conjunto de 897 matrículas, cujos dados são extremamente ricos,
    contendo diversas informações pessoais sobre os trabalhadores, acompanhadas de uma
    minuciosa descrição física, bem como o nome e endereço dos empregadores. Isto permitiu
    a realização de análises sobre possíveis clivagens de gênero, classe e raça dentro da
    própria categoria dos criados de servir. A profissão mais comum, também aquela presente
    na maioria das casas ou estabelecimentos dos empregadores, foi a de cozinheira,
    abrigando nela grande quantidade de matriculadas de cor preta. As profissões mais
    brancas tendiam a ser aquelas mais especializadas, como costureiras e jardineiros, por
    exemplo, alugados geralmente em casas, que já tinham à sua disposição principalmente a
    cozinheira. Em sobreposição a esta forte clivagem de cor, havia também uma clara
    diferenciação de gênero. Apesar de haver profissões ocupadas, tanto por homens quanto
    por mulheres, a maior parte delas era restrita a um dos grupos. Estes resultados refletem,
    igualmente, o que se observa hoje na caracterização geral do serviço doméstico: mulheres
    pretas confinadas aos trabalhos de cozinha, enquanto homens brancos ocupando posições
    que deram origem a categorias de trabalho, hoje destacadas do conceito de trabalhador
    doméstico (como os trabalhos de hotelaria e limpeza em estabelecimentos comerciais).
    Por fim, ainda que num contexto de constante vigilância e monitoramento, por parte dos
    patrões, estes trabalhadores domésticos do final do século XIX conseguiram manter seus
    grupos de sociabilidade e suas famílias, encontrando nestas relações de solidariedade o
    amparo imprescindível para a cotidiana resistência, necessária à construção de suas
    próprias liberdades.
    Palavras-chave: trabalho doméstico, criados, escravidão, abolição, século XIX.

9
  • ADRIANO FERREIRA DE SOUSA
  • A LABORIOSA CLASSE CAIXEIRAL: RELAÇÕES DE TRABALHO E ASSOCIATIVISMO NO COMÉRCIO DE SALVADOR (1875-1889)

  • Orientador : ANTONIO LUIGI NEGRO
  • Data: 27/12/2018
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  • O objetivo desta dissertação é fazer uma análise das relações e condições de trabalho
    dependente mantida entre caixeiros e empregadores na cidade de Salvador entre 1875 e 1889.
    Além disso, visa apontar como associativismo caixeiral foi importante por organizar esses
    trabalhadores, forjar uma identidade de ofício, prover auxílios e, na medida em que o contexto
    permitia, se insinuar pela garantia de direitos. Argumenta-se, portanto, que embora as relações
    de trabalho fossem permeadas por práticas paternalistas e as associações de caixeiros
    mantivessem estreitos laços clientelistas com empregadores e outros setores das elites
    soteropolitanas, é possível perceber a agência política desses trabalhadores na defesa ou
    garantia de seus interesses.

Teses
1
  • ROGÉRIO DOS SANTOS FRANÇA
  • Entre viciados e criminosos: discurso antidrogas, controle social e biopolítica em Salvador (1970-1990).

  • Orientador : IRANEIDSON SANTOS COSTA
  • Data: 07/08/2018
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  • O tema desta tese é o funcionamento da política de drogas em Salvador, capital da Bahia,
    entre os anos 1970 e 1990. Nosso objetivo foi analisar de que maneira essa política foi
    operacionalizada a partir de três instâncias: os discursos da mídia e dos operadores da
    segurança pública; a atuação dos órgãos do sistema de justiça criminal e, finalmente, a
    institucionalização das práticas de redução de danos. Para tanto, utilizamos os periódicos que
    circularam em Salvador durante o período para analisar de que maneira as drogas foram
    representadas na mídia; os dados estatísticos do sistema de segurança pública e do sistema
    penitenciário, para avaliar a pertinência entre esses números e os discursos que apontavam as
    drogas como “o maior dos problemas” da cidade e, por fim, os relatórios de atividades do
    Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD), nos quais analisamos os
    impactos que as práticas de redução de danos causaram no cenário do consumo de substâncias
    psicoativas ilícitas da cidade. A hipótese que orientou essa pesquisa foi a de que não existia
    correspondência entre o discurso que estabelecia as drogas como o principal problema da
    cidade de Salvador e a representatividade dos delitos de uso e tráfico nas estatísticas do
    sistema de justiça criminal. Dessa maneira, afirmamos que os discursos antidrogas e a atuação
    dos operadores da justiça criminal atuaram massivamente para construir as drogas enquanto
    problema por excelência da cidade, estabelecendo as substâncias ilícitas e os sujeitos a elas
    relacionados enquanto fatores que explicavam a criminalidade. Esses discursos e práticas,
    embora hegemônicos, encontraram seu contraponto nos enunciados e nas ações de CETAD,
    responsável por colocar em movimento uma abordagem voltada para o fenômeno do consumo
    de drogas que foi além dos postulados clássicos do proibicionismo.

2
  • CINTHIA DA SILVA CUNHA
  • [...] a Bahia se mostrará digna do renome que a cerca1: Exposições na Primeira República (1908, 1922 e 1923)

  • Orientador : SUELY MORAES CERAVOLO
  • Data: 26/10/2018
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  • Este trabalho aborda os preparativos, a elaboração e a apresentação do Estado da Bahia em três exposições realizadas nos anos de 1908, 1922 e 1923. A primeira aconteceu no Rio de Janeiro, como parte da Exposição Nacional Comemorativa do Centenário da Abertura dos Portos às Nações Amigas. A segunda ocorreu em 1922, com exposição preparatória em Salvador e evento principal no Rio de Janeiro, denominado Exposição do Centenário da Independência ou Exposição Internacional do Brasil. A terceira e última exposição foi realizada em 1923, ocorrida na cidade do Salvador, capital do Estado da Bahia, intitulada, pelos articuladores, Exposição da Verdadeira Emancipação, e comemorativa do Centenário da Independência na Bahia. Tratou-se de eventos derivados das exposições universais ocorridas desde 1851, portanto, desde o século XIX. Utilizadas para propagandear os valores da sociedade burguesa e, nesse mesmo contexto, estabelecer e difundir objetivos comerciais, a escolha das três exposições baianas contempladas nesta tese visou avaliar, através do viés expositivo, o desempenho desse estado na conjuntura da Primeira República. O viés escolhido traz à luz, com base em fontes textuais e iconográficas, os mecanismos que alimentaram a propagação do ideário de cunho modernizador. A tese se divide em capítulos que analisam os elementos propriamente materiais, a exemplo das características do Pavilhão baiano (1908), os produtos naturais ou manufaturados enviados (1922) e ou reapresentados (em 1923), e os narrativos e discursivos de natureza histórica, factual e cívica, declarados em catálogos, boletins e jornais, evidenciando os recursos utilizados para alinhar a Bahia à República. Do ponto de vista da categoria social participante desses eventos procura-se dar relevo ao contraste e ocultamento entre os sujeitos chamados a participar e os sujeitos ignorados. As contradições evidenciadas pelo contexto em que na exaltação das exposições, festas para os olhos, se contrapõem as condições internas do Estado da Bahia.

3
  • LEONARDO COUTINHO DE CARVALHO RANGEL
  • Esposas de Cristo: santidade e fingimento no Portugal seiscentista

  • Data: 26/10/2018
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  • Esta tese objetiva contribuir para o entendimento das complexidades relacionadas à santidade
    feminina, tanto na sua forma aprovada quanto na tida, pelas autoridades da Igreja, como
    simulada, no Portugal do século XVII. O trabalho se desenvolve em torno de estudos de caso,
    nomeadamente o de Mariana da Purificação (1623-1695), freira carmelita do Convento da
    Esperança de Beja, e os de Guiomar (~1601-1642+) e Maria Mazeda (~1615-1642+),
    terceiras franciscanas – todas acusadas de fingimento de santidade. As principais fontes
    empregadas foram a obra Fragmentos da prodigiosa vida da […] veneravel Madre Marianna
    da Purificaçam (1747) de Fr. Caetano do Vencimento; o processo inquisitorial de Mariana da
    Purificação (1668-1670), contendo os “cadernos” autógrafos da religiosa que serviram de
    base para os Fragmentos; e também os processos de Guiomar Mazeda e Maria Mazeda
    (ambos, 1641-1642). A maneira como se retratavam as veneráveis e as santas nas vitae seguia
    padrões que enquadravam trajetórias complexas como a de sóror Mariana em modelos
    preestabelecidos, visando atingir interesses específicos, incluindo os dos financiadores do
    livro. Para tanto, eliminavam-se e/ou reescreviam-se passagens possivelmente
    comprometedoras. Essas obras poderiam ainda ser uma forma de enquadramento dos
    manuscritos femininos, os quais, geralmente, serviam de base para a elaboração das vitae, a
    exemplo dos “cadernos” de Mariana. Estes foram retirados do seu contexto original e
    moldados conforme a visão das autoridades masculinas. Conquanto essa prática seja
    amplamente conhecida pelos especialistas, apenas em raros casos é possível ter acesso ao
    manuscrito em que se baseou a obra para observar as mudanças no discurso, bem como
    procurar entender as possíveis razões para as omissões e adições. A investigação evidencia
    que mesmo indivíduos inequivocamente considerados santos poderiam apresentar
    contradições e incoerências, próprias de todos os seres humanos, quando analisados sob a
    ótica de fontes cujo objetivo não era o de construir uma imagem laudatória, a exemplo da
    documentação inquisitorial. Verificou-se ainda que a simulação de santidade feminina poderia
    ser motivada ou causada pelas mais diversas razões, a exemplo de uma direção espiritual
    ineficiente; possíveis problemas psicológicos; bem como a situação de vulnerabilidade
    socioeconômica a que estavam expostas mulheres pobres e não-casadas. Isso leva a uma
    explicação menos simplista do que o mero desejo de fama, cuja importância pode ser
    superestimada se não se consideram outros fatores.

4
  • DANIELE SANTOS DE SOUZA
  • TRÁFICO, ESCRAVIDÃO E LIBERDADE NA BAHIA NOS ANOS DE OURO DO COMÉRCIO NEGREIRO (c.1680-c.1790)

  • Data: 13/11/2018
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  • Este trabalho é sobre a escravidão e o tráfico transatlântico de africanos na Cidade da Bahia (Salvador), ao longo do século XVIII. A análise abrange o período em que a Bahia consolidou sua presença na Costa da Mina como principal região fornecedora de mão de obra escrava, em fins do século XVII, até a emergência das revoluções atlânticas na última década do século XVIII, responsáveis por uma série de transformaçõesque acabaram reconfigurando o tráfico e a escravidão nas Américas. O comércio negreiro possui espaço privilegiado nesta pesquisa, sendo tomado como fio condutor que entrelaça os capítulos. Deste modo, busca-se compreender as vicissitudes e as disputas envolvendo homens de negócio sediados em Lisboa e Salvador, ao longo do período setecentista. Este estudo volta-se a entender a logística em torno do resgate de escravos, principalmente no que tange à composição de sua tripulação, bem como a produção e manutenção das embarcações negreiras. Investiga-se a estrutura de posse e o perfil dosproprietáriosde escravos da Bahia, demonstrando como o tráfico contribuiu com a disseminação da escravidão, transformando brancos, pobres,libertos e, até mesmo, escravos em senhores.O trabalho se baseia em vasta documentação salvaguardada por arquivos no Brasil e em Portugal e/ou disponibilizados online, abrangendo fontes produzidas pela administração colonial, registros paroquiais, cartoriais, testamentos,inventários post-mortem, entre outras fontes.

5
  • AMÉLIA SABACK ALVES NETA
  • “A CIÊNCIA DA VERDADE”: HISTÓRIA E ESCRITA DA HISTÓRIA NA OBRA DE BRAZ HERMENEGILDO DO AMARAL
    (1886-1943)

  • Orientador : CARLOS ZACARIAS FIGUEIROA DE SENA JUNIOR
  • Data: 20/11/2018
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  • Nesta tese, examina-se a obra do historiador baiano Braz Hermenegildo do Amaral (1861-
    1949). Busca-se entender o tipo de história que ele produziu e os métodos empregados. O
    conjunto dos escritos analisados abrange artigos, livros e discursos concebidos sob os
    parâmetros de instituições comprometidas com a memória nacional e com a história da Bahia,
    a exemplo do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, do Instituto Histórico e Geográfico
    Brasileiro e da Academia de Letras da Bahia. Os textos de Braz do Amaral e a sua prática
    historiográfica revelam seu lugar institucional e sua concepção de história. Ressalta-se a
    importância do historiador para o estabelecimento de um corpo documental de relevância para
    a escrita da história, na medida em que criou condições para a divulgação de documentos e
    serviu como filtro historiográfico em relação aos estudos que se tornaram indispensáveis à
    historiografia brasileira. Discutem-se os temas de sua obra, destacando sua recorrência.
    Assim, evidencia-se a perspectiva do historiador ao lidar com os acontecimentos no tempo,
    salientando os seus critérios de seleção. A sua prática historiográfica também se vinculou às
    alianças políticas que favoreceram suas pesquisas. Conclui-se que Braz do Amaral contribuiu
    para instituir um modo de escrita da história na Bahia, conforme as necessidades e as
    condições de produção historiográfica de seu tempo.
    Palavras-chave: Braz do Amaral, história, historiografia, documento, instituições.

6
  • MARCELO RENATO SIQUARA SILVA
  • A CULTURA LETRADA NA BAHIA (1821-1823):A EXPERIÊNCIA DA INDEPENDÊNCIA BRASILEIRA

  • Orientador : LINA MARIA BRANDAO DE ARAS
  • Data: 13/12/2018
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  • Após a Revolução do Porto (1820), a província da Bahia vivenciou uma nova dinâmica política. O antigo súdito do Império português, alçado a condição de cidadão, passou a desfrutar as benesses facultadas pelo liberalismo constitucional. No exercício político dos seus direitos e deveres, amparados nas Bases Constitucionais elaboradas pelas Cortes de Lisboa, e refletindo sobre um conjunto de conceitos esquadrinhados pelo Catecismo Político que circulou em Salvador, o cidadão português passou a sugerir mudanças e a questionar antigos problemas que afligiam a sociedade. A profusão de impressos e manuscritos, e as discursões suscitadas a partir da publicização de seus conteúdos, favoreceu a ampliação dessa participação. Além disso, o olhar crítico do cidadão sobre os projetos políticos defendidos pela maioria dos congressistas portugueses, que resultou na formação de partidos distintos na província, contribuiu para o agravamento no quadro de tensões. Cabe ressaltar que, a princípio, a luta pela independência brasileira esteve vinculada a manutenção da unidade do Império português, amparada no princípio da paridade de direitos. Porém, este desejo inicial sofreu uma viragem a partir do momento em que a proposta de construção do novo pacto social passou a ser percebida como um escuso projeto de recolonização. A partir de então, a opção pela ruptura, sob os auspícios do príncipe dom Pedro, tornou-se um caminho sem volta. De toda sorte, a vinculação da província da Bahia neste circuito de mudanças resultou na incidência de um conjunto de alterações – de ordem política, econômica, social e cultural. Enfim, diante do exposto, defendo que o estudo da cultura letrada na Bahia (1821-1823), a partir da análise da experiência da independência brasileira, será capaz de ampliar a percepção sobre o processo histórico que resultou na separação entre os reinos irmãos. Acredito que essa abordagem histórica produzirá respostas que expliquem as relações estabelecidas entre o Estado e a sociedade em um contexto liberal e constitucional. A análise e o confronto de variadas fontes – primárias e secundárias –, em arquivos brasileiros e portugueses, tende a contribuir para o sucesso dessa empreitada.

7
  • RAQUEL OLIVEIRA SILVA
  • A IMPRENSA BAIANA E O AMERICANISMO NA GUERRA CONTRA O EIXO (1942 – 1945)

  • Orientador : CARLOS ZACARIAS FIGUEIROA DE SENA JUNIOR
  • Data: 14/12/2018
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  • O objetivo desta pesquisa é analisar o reforço de um discurso favorável às instituições políticas, modelo econômico e padrão de vida dos Estados Unidos, disseminado nas páginas dos jornais editados em Salvador, entre os anos de 1942 e 1945. Discutimos o projeto de aproximação entre o país norte-americano e o Brasil, mais especificamente a Bahia, enfocando na atuação da Agência do Coordenador dos Assuntos Interamericanos (OCIAA), órgão governamental estadunidense que visava superar a influência do Eixo sobre a América Latina. Verificamos as articulações das classes dirigentes baianas a favor da difusão do americanismo na sociedade local, e as vinculações entre o processo de redemocratização do Brasil e o discurso sobre a democracia norte-americana na imprensa da Bahia. Investigamos de que forma as relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos apareceram nos periódicos da capital baiana e a maneira pela qual a publicidade jornalística contribuiu para o esforço de guerra ianque. Além disso, analisamos os argumentos da imprensa baiana em defesa do pan-americanismo e as impressões de baianos ao viajarem para os Estados Unidos, alguns deles patrocinados pelo próprio governo norte-americano, como foi o caso de médicos, estudantes e jornalistas como Simões Filho, diretor do jornal A Tarde, e Wilson Lins, redator-chefe de O Imparcial. Mostramos como a imprensa baiana buscou propagar a existência de uma aproximação entre a Bahia e os Estados Unidos, do ponto de vista cultural e intelectual. Abordamos outros aspectos nos periódicos de Salvador sobre o americanismo, como o reforço de estereótipos sobre a América Latina e a questão do racismo nos Estados Unidos. E por fim, observamos a cobertura dos jornais baianos sobre a União Soviética e os comunistas, bem como acerca do Eixo e seus simpatizantes no Brasil.

8
  • IORDAN QUEIROZ GOMES
  • A família Pessôa, o prestígio e a tradição: encenações e práticas oligárquicas na Paraíba (1889-1942).

  • Orientador : MARIA HILDA BAQUEIRO PARAISO
  • Data: 19/12/2018
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  • A presente tese tem por objetivo compreender como a família Pessôa construiu e defendeu um
    prestígio político, associado a construção de uma tradição familiar, alimentada historicamente
    enquanto uma estratégia de manutenção do status quo, constituídos como aspectos integrantes
    da configuração do poder político da família na Paraíba entre 1889 e 1942. Esse objeto de
    estudo foi sendo delineado a partir de uma série de preocupações oriundas da interpretação das
    fontes e da literatura que fundamentou a pesquisa. Assim, tracei o meu percurso a partir de duas
    ordens de questões. Na primeira, tento entender a criação e a defesa do prestígio enquanto
    aspecto fundamental para a configuração do poder político familiar. Na segunda ordem de
    questões, procuro perceber, paralelamente a criação e defesa do prestígio, de que maneira os
    Pessôa foram inventando uma tradição familiar enquanto uma estratégia para manutenção do
    status quo no curso do tempo. Para respondê-las, duas hipóteses se apresentam como centrais
    ao longo da tese. De um lado, defendo que em paralelo a produção da vida material, do aparato
    econômico e da parentela, a criação e a defesa desse prestígio – entendido enquanto sinônimo
    de status –, atravessado pela recorrência de um complexo jogo de cena, fundamentou e
    assegurou a eficácia do poderio político e influência da família Pessôa na Paraíba durante a
    temporalidade estudada. Por outro lado, defendo que na criação e defesa desse prestígio, os
    Pessôa acabaram por inventar uma tradição familiar, reivindicada pelos seus próprios
    promotores de acordo com a expectativa de manutenção do poder político no momento em que
    este apresentou sinais de declínio. No último caso, penso que inventar uma tradição familiar foi
    uma estratégia da família para manutenção do patrimônio imaterial – o prestígio – dos Pessôa.
    Essas hipóteses se interconectam historicamente ao longo do recorte temporal delineado e
    apoiam-se na premissa de que as posições sociais assumidas pelos personagens que analiso não
    estiveram desconectadas das suas atividades políticas, econômicas e culturais, isto é, separadas
    do campo das práticas e representações, dos gestos e comportamentos, da realidade e da sua
    apreensão imaginária.

9
  • ELIANA EVANGELISTA BATISTA
  • A BAHIA PARA OS BAIANOS: ACOMODAÇÃO E REAÇÃO POLÍTICA AO GOVERNO DE GETÚLIO VARGAS
    (1930-1937)

  • Orientador : CARLOS ZACARIAS FIGUEIROA DE SENA JUNIOR
  • Data: 21/12/2018
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  • Esta tese analisa os desdobramentos políticos da Revolução de 1930 na Bahia, destacando a
    atuação dos grupos políticos e partidários que se opuseram ao governo de Getúlio Vargas
    entre 1930 e 1937. Com base na pesquisa bibliográfica e de arquivo que analisou uma
    diversidade de fontes, a exemplo de cartas, manifestos, ofícios, livros de memórias e
    principalmente jornais editados no período, demonstra-se que a Revolução de 1930 teve uma
    base de sustentação política na Bahia formada por dissidências da oligarquia no estado,
    especialmente produtores em litígio doméstico com os governos de Góes Calmon (1924-
    1928) e Vital Soares (1928-1930). Depostos pelo movimento revolucionário de outubro, os
    remanescentes do governo calmonista e os mangabeiristas foram inicialmente substituídos por
    seabristas, que se juntaram à Aliança Liberal no ano de 1929. Diante da dificuldade em
    atender aos interesses dos grupos revolucionários, em razão da forte crise de hegemonia que
    se instalou no período, os interventores baianos que assumiram o governos nos primeiros
    meses após a revolução foram substituídos por um militar cearense, Juraci Magalhães, que
    atuou de forma discricionária e constitucional, entre os anos de 1931 e 1937. Contra ele e o
    projeto de governo centralizador que representava, insurgiu um grupo de baianos. Inimigo de
    véspera, este grupo que se autodenominou autonomista, liderado pelo deputado Otávio
    Mangabeira, envidou esforços para retomar as rédeas do governo do estado. Longe de
    significar apenas o desejo de devolver a Bahia à posse de si mesma, as lutas políticas e
    partidárias que daí emergiram, expressas no jogo das aparências de uma narrativa regionalista
    e intensificadas nas disputas eleitorais do conturbado jogo político constitucional da década
    de 1930, revelam a verdadeira face desse ajuntamento de oposição. Formada por produtores,
    comerciantes e políticos profissionais que participavam diretamente do controle do Estado,
    antes de 1930, os autonomistas buscavam resguardar os seus interesses materiais e mais que
    isso, confrontavam abertamente o novo modelo de Estado que estava sendo gestado em
    substituição ao federalismo oligárquico que defendiam, cuja existência estava ameaçada pelo
    forte aparato coercitivo do governo de Getúlio Vargas e pela incapacidade das oligarquias
    regionais em superar a crise de hegemonia nos diferentes estados, culminando no golpe de
    1937 que instalou o Estado Novo no Brasil.

2017
Dissertações
1
  • AILTON JOSÉ DOS SANTOS CARNEIRO
  • Homossexuais em Trânsito: representações, militância e organização política homossexual na Bahia, 1978-1988.

  • Orientador : MARCELO PEREIRA LIMA
  • Data: 31/03/2017
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  • A produção de uma identidade coletiva homossexual e a organização de uma militância em
    defesa das homossexualidades na Bahia nas décadas de 1970 e 1980 são os elementos
    constitutivos desta pesquisa. Nesse sentido, este trabalho tem como escopo discutir como se
    deu o processo de agitação político-cultural e formação de um movimento homossexual
    organizado em Salvador no período de abertura política e redemocratização do Estado
    brasileiro, de 1978 a 1988, dando-se grande ênfase à atuação do Grupo Gay da Bahia (GGB).
    Para tanto, faz-se uso de uma revisão bibliográfica acerca da temática, de uma análise de
    documentos – estatutos, boletins informativos, livros e folhetos produzidos pelos militantes
    homossexuais, jornais da época – que compõem a narrativa sobre esse passado, e de fontes orais
    que através da análise de discursos, reverberam toda a gama de representações, práticas e
    tensões envolvendo esses agentes históricos. A importância de tal abordagem parte ainda da
    concepção de que o movimento homossexual, por meio de sua atuação, desloca uma série de
    significantes e significados, bem como de representações, atribuídos aos amantes do mesmo
    sexo. Com isso, trata-se de mais uma tentativa de inserir a problemática da homossexualidade
    na historiografia numa prospectiva de luta contra as práticas e os discursos heteronormativos
    dominantes na sociedade.

2
  • ANTONIO NONATO SANTOS OLIVEIRA
  • PARTICIPAÇÃO DE TERCEIROS NA ALFORRIA: ESCRAVIDÃO E LIBERDADE EM BARRA, BAHIA, 1827 A 1888

  • Orientador : GABRIELA DOS REIS SAMPAIO
  • Data: 31/03/2017
  • Mostrar Resumo
  • A presente dissertação discute a participação de terceiros na alforria, a partir de Barra do
    Rio Grande, localizada no oeste da Bahia, no período de 1827 a 1888. Trata-se de um
    estudo de história social da escravidão, elaborado a partir de ampla pesquisa documental,
    utilizando como fontes principais ações de liberdade e cartas de alforrias registradas em
    livro de notas de tabelião. Os capítulos têm como fio condutor as experiências de três
    escravas: Raimunda, Maria e Lucinda. A partir de suas histórias, foi possível abordar
    aspectos relevantes sobre a escravidão e a liberdade e, especialmente, a intervenção de
    terceiros na alforria. A questão principal do trabalho foi compreender os motivos pelos
    quais outras pessoas interferiram na relação senhor-escravo. São discutidos também
    aspectos gerais da escravidão e da liberdade naquela região.

3
  • KALINA FERNANDES GONÇALVES
  • POR UMA UTOPIA REALIZÁVEL: O FEMINISMO ENGAJADO E O SOCIALISMO UTOPICO NAS OBRAS DE FLORA TRISTAN NO SÉCULO XIX

  • Orientador : MARCELO PEREIRA LIMA
  • Data: 31/03/2017
  • Mostrar Resumo
  • Esse trabalho tem como objetivo analisar o discurso feminista e socialista nas obras da
    autora francesa Flora Tristan (1803-1844), considerada uma das precursoras do
    feminismo e do socialismo utópico. Para a pesquisa, foram analisadas três obras da autora,
    dois relatos de viagem Peregrinações de uma Pária (1835), Passeios em Londres (1840)
    e um livro político União Obreira (1843). Parto da hipótese de que Flora Tristan concebeu
    um texto original ao unir duas concepções políticas e dois movimentos em voga no século
    XIX. A autora criou assim assimilações singulares com a junção da perspectiva feminista
    e da crítica e os ideais socialistas. A leitura dessas fontes é direcionada, portanto, a
    compreender a construção do discurso político da autora. Para além disso, Flora Tristan
    narrou sobre as sociedades (peruana e inglesa) e sobre os contextos político e sociais
    vivenciados por ela nesses locais (pós-independência do Peru e efervescência econômica
    da Inglaterra). A autora também apresentou o contexto social das mulheres na sociedade
    oitocentista, principalmente da mulher separada, traduzindo sua experiência pessoal em
    uma metáfora social, as mulheres como Párias da sociedade. Muitas outras identidades
    femininas são possíveis enxergar através dos escritos de Flora Tristan, a estrangeira, a
    mãe, a autora, a viajante etc, assim, como suas observações acerca da classe operária em
    suas condições e suas reinvindicações. Essa pesquisa tem como norte teórico os estudos
    feministas e as discussões de gênero. O trabalho insere-se na linha de pesquisa da História
    Social, História das Mulheres e História Contemporânea.

Teses
1
  • MAYARA PLÁSCIDO SILVA
  • Revolução sem sangue na decantada pátria de Lucas: Cidadania e experiências de trabalhadores negros/as e migrantes em Feira de Santana - Bahia (1890-1930)

  • Orientador : MARIA DE FATIMA NOVAES PIRES
  • Data: 14/06/2017
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  • Os anos seguintes ao fim da escravidão na região de Feira de Santana, município localizado às
    portas do sertão baiano, apresentaram uma reorganização na produção, com a substituição do
    valor e dos lucros oriundos da posse de escravos/as por extensos rebanhos de gado, em função
    da pujante feira de animais ocorrida na cidade. Tal reorganização produtiva fora acompanhada
    pelo estabelecimento de uma lógica política controlada e gestada por indivíduos inseridos
    nesse contexto de acumulação de riqueza. Seus interesses foram explicitados na construção
    das leis municipais, com destaque para o Código de Posturas de 1893. Além desse,
    consultamos correspondências oficiais e resoluções da Intendência e Conselho Municipal para
    investigar os projetos locais de organização do trabalho nas primeiras décadas da república.
    Ademais, a despeito da documentação referente à produção agrícola e pecuária local,
    percebemos a presença marcante de pequenos proprietários, lavradores/as, quitandeiras nas
    movimentações econômicas do município e, em contrapartida, o processo de desvalorização
    econômica de suas práticas, vide a lógica de comercialização do fumo, produzido por
    pequenos proprietários. Essa relação conflituosa, latente na documentação nos informa sobre
    a construção das relações políticas, econômicas e de trabalho no pós-abolição em Feira de
    Santana. Convém, portanto, investigar as disputas por autonomia e estratégias de
    sobrevivência da população egressa do cativeiro, inclusive, ex-escravos migrantes, a partir de
    suas experiências comuns. Para tanto, selecionamos um conjunto de processos-crime,
    inventários e arrolamentos disponibilizados no Centro de Documentação da UEFS – CEDOC.

2
  • LUIZ ANTONIO PINTO CRUZ
  • A GUERRA DO ATLÂNTICO NA COSTA DO BRASIL: RASTROS, RESTOS E AURA DOS U-BOATS NO LITORAL DE SERGIPE E DA BAHIA (1942-1945)

  • Orientador : LINA MARIA BRANDAO DE ARAS
  • Data: 27/10/2017
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  • Esta tese propõe-se a estudar a dimensão social da ação beligerante dos U-boats no litoral de Sergipe e da Bahia, ao longo da Segunda Guerra Mundial. Com base na revisão da literatura especializada, aliada às informações emanadas das fontes primárias e das entrevistas orais, foi possível perceber como a costa do Brasil se integrou paulatinamente à Guerra do Atlântico (1939-1945). Em sua deflagração para os brasileiros, em agosto de 1942, as áreas marítimas adjacentes ao Porto de Salvador passaram a ser consideradas pelos marinheiros da época como um dos lugares mais arriscados para o exercício da navegação de cabotagem da América do Sul. Esta investigação precisou, então, variar o jogo das escalas de análise, pois a praia, um espaço por excelência marginal, tornou-se o lugar-central desta investigação micro-histórica. Era o que aparecia nela que gerava o acontecimento-monstro para os litorâneos. Foram ―os rastros e restos‖, que ajudaram a captar a aura da guerra naval, em outras palavras, os salvados tiveram o poder de criar imagens beligerantes, e assim, aproximar o que parecia distante: os submarinos alemães e italianos. Do ponto de vista metodológico, foi preciso estabelecer um diálogo com as ciências sociais para desenvolver uma análise histórica pautada na cultura material com o intuito de vislumbrar os salvados de guerra enquanto fontes históricas, ou, como diria Walter Benjamin, ―em documentos de barbárie‖. Daí a necessidade de se desenvolver uma investigação também voltada para a cultural material, especialmente no tocante aos significados sociais dos malafogados (catação dos salvados, prática social, memória coletiva, etc.); aos esquemas de apropriação dos praianos; aos conflitos entre militares e civis pelos malafogados; à comercialização dos objetos na cidade de Aracaju. Portanto, os restos navais trouxeram a aura da Segunda Guerra Mundial do oceano para o interior da vida social dos brasileiros. Por isso, adotou-se como marco temporal irradiador o dia 15 de agosto de 1942, quando se iniciaram os sucessivos ataques navais do U-507, encerrando-se, em 1945, com o fim da guerra na Europa, ou seja, da conjuntura político-militar que criou a Guerra do Atlântico. Mesmo após a capitulação da Alemanha, as águas brasileiras se transformaram em rota de fuga para os U-boats, que levavam a bordo os nazistas para alguns rincões costeiros da América do Sul. Ainda existem muitas histórias malafogadas na costa do Brasil ao longo da Segunda Guerra Mundial, resta saber: - até quando?

2016
Dissertações
1
  • FERNANDA GOMES ROCHA
  • Laços de família: Escravos e libertos em Minas do Rio de Contas - Bahia (1840 – 1888)

  • Orientador : MARIA DE FATIMA NOVAES PIRES
  • Data: 31/03/2016
  • Mostrar Resumo
  • O objetivo deste trabalho é estudar os laços de família consanguíneos e espirituais de escravos
    e libertos em Minas do Rio de Contas, região do alto sertão da Bahia, nos anos de 1840 e
    1888. Para tanto, foram analisados os registros eclesiásticos, inventários, livros de nota do
    tabelionato, procurando, sempre que possível, compreender o significado da família para a
    vida desses sujeitos e como, através do sacramento do batismo, casamento e óbito teceram
    redes de proteção e ajuda mútua com pessoas de diferentes estatutos jurídicos sociais. Teve a
    preocupação de investigar os apadrinhamentos a partir das experiências dos escravos e
    libertos, analisando suas escolhas pessoais e buscando interpretar os possíveis arranjos de
    sobrevivências cotidianos. Assim, foi possível identificar a formação de famílias extensas que
    envolviam não somente o parentesco consanguíneo (pai, mãe e filho), mas também o
    espiritual (padrinhos e madrinhas), entrelaçados pelo compadrio, pelas relações de
    sociabilidade, afetividades, companheirismos e laços comunitários. E ainda a importância dos
    laços espirituais constituídos na irmandade de Nossa Senhora do Rosário para a vida escrava,
    em especial no momento da morte.

2
  • VIRGÍLIO SENA NERY
  • ENTRE LUTAS E DESPEDIDAS: DA DISSIDÊNCIA COMUNISTA DA GUANABARA À AUTOCRÍTICA DO MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO 8 DE OUTUBRO (1966-1976)

  • Orientador : CARLOS ZACARIAS FIGUEIROA DE SENA JUNIOR
  • Data: 31/03/2016
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  • Este trabalho consiste em analisar a trajetória da Dissidência Comunista da Guanabara e do
    Movimento Revolucionário 8 de Outubro entre 1966 e 1976. Procuramos investigar a
    formação, áreas de atuação e formas de luta da organização na luta contra a ditadura militar.
    Analisamos a disputa pelos rumos da organização através da luta interna que resultou em
    cisões e desencontros. O processo de autocrítica e as repercussões na atuação do MR-8 no
    movimento social. A partir de documentos de circulação interna, jornais da organização e
    entrevistas orais, apresentamos essa trajetória.

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